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Do cumprimento legal à inovação: os novos rumos da gestão ambiental

Publicado em: 06-07-2026
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A sustentabilidade deixou de ser apenas uma pauta ambiental para se tornar um fator estratégico de competitividade nas empresas. Critérios como ESG (sigla em inglês para governança ambiental, social e corporativa) já pesam diretamente em decisões de mercado, acesso a crédito e reputação institucional. A Profa. Dra. Mariana Nascimento Siqueira, docente da Pós-Graduação da UniRV e pesquisadora dedicada ao tema, explica como esse cenário se consolidou e qual o papel da Universidade na formação de profissionais preparados para esses desafios.
 
Segundo a docente, a preocupação com a gestão dos recursos naturais não nasceu apenas de uma exigência do mercado, mas de problemas ambientais globais que se agravaram ao longo das décadas. "A gestão sustentável dos recursos naturais surgiu, inicialmente, não por uma demanda de mercado, mas problemas ambientais globais como perda de biodiversidade, poluição, crescimento populacional desordenado associado a grande desigualdade social e mudança climática", explica.
 
Foi a partir da consolidação de políticas públicas ambientais, segundo a professora, que se tornaram evidentes as diferenças entre empreendimentos que cumpriam a legislação e os que não cumpriam e o mercado passou a valorizar cada vez mais os primeiros. De acordo com Mariana, em meados dos anos 1990 esse movimento ganhou força para além da esfera legal, com o surgimento de instrumentos econômicos que passaram a estimular a produção sustentável tanto de matérias-primas quanto de produtos industrializados. Foi nesse contexto que as certificações ambientais se tornaram parte do cenário competitivo das empresas, e que a variável social ganhou peso a partir dos Sistemas de Gestão Ambiental regulamentados pelas normas ISO. O ESG, mais recente, amplia esse conjunto de práticas ao unir sustentabilidade, responsabilidade social e governança, elementos que, segundo a pesquisadora, elevam a credibilidade das empresas e reduzem os riscos de punições por não conformidade ambiental e social.
 
Com relação ao uso eficiente dos recursos naturais sem comprometer a produtividade, a professora pondera que não existe um caminho único, já que cada atividade econômica impacta o meio ambiente de forma distinta. Ainda assim, há um ponto de partida comum a todos os setores: cumprir a legislação ambiental. "Estar em conformidade com a legislação ambiental é o ponto de partida inclusive de qualquer certificação ambiental, inclusive do ESG", afirma.
 
A partir da regularização, explica a docente, torna-se possível identificar como os recursos naturais estão sendo impactados e propor soluções técnicas ou tecnológicas para reduzir esses impactos. Ela destaca ainda que essa trajetória “regularizar para depois otimizar”, não apenas evita sanções legais, mas também abre espaço para ganhos de eficiência que se traduzem em maior lucratividade e acesso a mercados mais exigentes, já que, em suas palavras, trata-se de uma produção mais segura e mais limpa.
 
Tecnologia como aliada da sustentabilidade

Ao tratar do papel da tecnologia na gestão ambiental, Mariana aponta o sensoriamento remoto como um dos avanços mais relevantes da atualidade, por disponibilizar imagens de satélite em tempo real que podem ser interpretadas por meio de Sistemas de Informação Geográfica (SIGs). Ela cita também os veículos aéreos não tripulados, entre os quais os drones se popularizaram por permitir o monitoramento de áreas de difícil acesso.
 
A professora lembra ainda que sistemas informatizados são usados para acompanhar a vazão de água em processos de outorga, que estações de tratamento de efluentes se tornaram altamente tecnológicas e que, no caso dos solos, a tecnologia tem impulsionado a produção de bioinsumos, produtos e processos de origem biológica que contribuem para a fertilidade do solo e o controle de pragas de forma sustentável. As usinas de energia solar completam esse panorama, reduzindo a dependência de termelétricas em períodos de estiagem. Para a pesquisadora, hoje, em todos os setores podem ser encontradas tecnologias que contribuem para o uso sustentável dos recursos naturais, soluções que vão da geração de energia à reciclagem de subprodutos de cadeias produtivas.
 
Para a professora, os benefícios das práticas sustentáveis não se restringem à preservação ambiental. Ela observa que o mercado se tornou mais exigente e que empresas com boas práticas ambientais acessam nichos mais valorizados, além de reduzirem custos operacionais por meio da eficiência energética, do reaproveitamento de água e da reciclagem de resíduos. Há também ganhos reputacionais: a adoção de práticas sustentáveis fortalece a imagem institucional perante clientes, fornecedores e investidores e vantagens financeiras concretas, já que instituições de crédito costumam oferecer condições melhores a empresas alinhadas a critérios ESG.
 
Formação e pesquisa na UniRV
 
Mariana destaca ainda que muitos cursos de graduação da Instituição contam com a disciplina de Gestão Ambiental em seus Projetos Pedagógicos, preparando os futuros profissionais para incorporar a sustentabilidade em suas rotinas de trabalho. Na pós-graduação existem linhas de pesquisa voltadas ao tema, com projetos que envolvem produtos, técnicas, tecnologias e serviços sustentáveis preparando profissionais para as mais diversas oportunidades de atuação no mercado de trabalho. "As oportunidades são tão pujantes e diversificadas, demandando profissionais que atuam desde administração da atividade econômica, até aqueles que projetam técnicas ou tecnologias para as demandas específicas, àqueles que as executam", resume.
 
Para o Reitor, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, a UniRV entende que formar bons profissionais, hoje, significa formar profissionais capazes de unir conhecimento técnico e responsabilidade socioambiental. “Nossas pesquisas e nossos programas de pós-graduação existem justamente para que Rio Verde e toda a região do agronegócio brasileiro tenham acesso a soluções sustentáveis, inovadoras e viáveis economicamente. A Universidade seguirá investindo para estar à frente desses desafios", conclui.
 
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Arte: Vinicius Macedo 

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