Oscilações nos preços de commodities agrícolas como milho e soja vão muito além do campo e chegam diretamente ao dia a dia da população. Produtos básicos da alimentação, especialmente as carnes, estão entre os principais afetados por essas variações, que influenciam toda a cadeia produtiva.
De acordo com o Diretor da Faculdade de Agronomia, Professor Dr. Ricardo Francischini, essas duas culturas são fundamentais para a produção de ração animal, base das cadeias de proteína.
“O milho e a soja são produtos essenciais na composição de algumas cadeias, como suínos, aves e bovinocultura. Ou seja, nas cadeias de carne. Então, aumentos de preço do milho e da soja vão impactar o custo de produção nessas cadeias. Aumentou o preço, o custo de produção aumenta e o repasse para o consumidor aumenta também”, explica.
O Professor esclarece que o reflexo no preço dos alimentos não acontece de forma isolada, mas acompanha o comportamento da produção agrícola ao longo do ano.
“Isso varia com a chegada dos produtos ou a escassez no mercado. Na época em que estão sendo colhidos, o preço dessas commodities cai. Com isso, o preço das carnes também tende a baratear. Já quando não há produção, há uma escassez de oferta e, consequentemente, os preços sobem, impactando novamente o consumidor”, destaca.
Esse movimento está diretamente ligado ao ciclo de safra e entressafra, que regula a disponibilidade de milho e soja no mercado. Entre os itens que mais sofrem impacto, estão as proteínas de origem animal, especialmente devido ao uso do milho na alimentação dos animais.
“O milho é o maior componente das rações. Cerca de 70% da ração é feita de milho. Então qualquer alteração no preço dele é sentida mais na carne”, afirma o Professor.
Apesar disso, a soja também exerce forte influência, principalmente por sua característica de produção.
Segundo o Professor Francischini, a soja tende a provocar variações mais perceptíveis em determinados períodos do ano. “A soja é mais sazonal, ela é produzida uma única vez por ano. Então, na época em que chega ao mercado, entre janeiro e fevereiro, você percebe esse impacto nos preços, inclusive nas carnes”, explica.
Já o milho apresenta um comportamento diferente, com produção distribuída ao longo do ano. “O milho é produzido o ano todo, com safra de verão, safrinha e até no inverno. Por isso, a gente sente menos o efeito das variações dele ao longo do tempo”, completa.
O Professor destaca que as variações de preços dessas commodities mostram como o agronegócio está diretamente conectado ao consumo diário da população, e por isso é importante que o consumidor esteja atento a estas alterações.
Equipe ASCOM
Jornalista Ana Júlia Sales
Arte: Vinícius Macedo