Entre provas, trabalhos, prazos e a pressão por um futuro profissional, a vida universitária pode ser marcada por desafios que vão muito além da sala de aula. Para muitos estudantes, a rotina acadêmica também envolve ansiedade, estresse, solidão e dificuldades para conciliar estudos, trabalho e vida pessoal. Nesse cenário, a saúde mental dos universitários tem ganhado cada vez mais atenção, levantando um importante debate sobre acolhimento, prevenção e acesso ao suporte psicológico dentro e fora das instituições de ensino.
Doutora em Psicologia do Desenvolvimento e Escolar, a professora da Faculdade de Psicologia da Universidade de Rio Verde, Dra. Fabiana Darc Miranda traz pontuações importantes sobre este tema. Segundo ela, esse tema tem ocupado lugar de destaque nas discussões científicas e institucionais, especialmente diante das transformações sociais, acadêmicas e tecnológicas que impactam diretamente a vida dos estudantes. “Como professora, psicóloga e pesquisadora, tenho acompanhado de perto os desafios enfrentados por essa população, compreendendo que a universidade é um espaço de desenvolvimento intelectual, mas também de intensas mudanças emocionais, sociais e pessoais.”
Fabiana chama atenção para o ingresso no ensino superior, pois representa uma fase marcada por novas responsabilidades, adaptação a diferentes exigências acadêmicas, construção da identidade profissional e reorganização das relações familiares e sociais. E segundo ela, embora esse período seja permeado por oportunidades de crescimento, também pode favorecer o surgimento de sofrimento psíquico quando os recursos individuais e institucionais não são suficientes para enfrentar as demandas impostas pela vida universitária.
“Entre as principais dificuldades observadas estão os sintomas de ansiedade, estresse, exaustão emocional, procrastinação, insegurança em relação ao desempenho acadêmico, dificuldades de concentração, alterações no sono, isolamento social e sentimentos de inadequação. Quando não reconhecidos e acolhidos precocemente, esses fatores podem comprometer não apenas o rendimento acadêmico, mas também a qualidade de vida, as relações interpessoais e a permanência do estudante na universidade.“
A professora ressalta que é importante compreender que cuidar da saúde mental não significa apenas tratar transtornos psicológicos, mas também significa promover ambientes acadêmicos saudáveis, fortalecer redes de apoio, incentivar o autocuidado, desenvolver habilidades socioemocionais e construir espaços em que o estudante possa sentir-se acolhido, respeitado e ouvido. “A prevenção continua sendo uma das estratégias mais eficazes para reduzir o sofrimento psíquico e favorecer o desenvolvimento integral dos universitários.”
Fabiana ressalta que é fundamental que as universidades assumam um papel ativo na promoção da saúde mental, investindo em ações educativas, atividades de psicoeducação, campanhas de conscientização, espaços de escuta qualificada e estratégias que fortaleçam o bem-estar psicológico da comunidade acadêmica. “Essas iniciativas contribuem para reduzir estigmas relacionados ao cuidado psicológico e estimulam os estudantes a buscar ajuda quando necessário. Como psicóloga da PRAE, neuropsicóloga, professora universitária e doutora em Psicologia, acredito que falar sobre saúde mental é uma forma de promover conhecimento, prevenção e cuidado.”
A docente reforça que “a construção de uma trajetória acadêmica bem-sucedida depende não apenas da aquisição de competências técnicas, mas também da capacidade de desenvolver equilíbrio emocional, relações interpessoais saudáveis, autonomia, resiliência e estratégias adequadas para lidar com os desafios inerentes à vida universitária. Cuidar da saúde mental dos estudantes é investir na formação de profissionais mais conscientes, éticos e preparados para enfrentar os desafios da sociedade contemporânea.”
Segundo ela, promover esse tipo de debate é reafirmar o compromisso da universidade com uma educação que valoriza, acima de tudo, o desenvolvimento humano em todas as suas dimensões, já que o processo de adaptação ao ensino superior, as exigências da formação profissional, a organização da rotina de estudos e as responsabilidades da vida adulta podem impactar diretamente o bem-estar psicológico dos estudantes.
Outro ponto mencionado por Fabiana é sobre a importância de eventos educativos, campanhas de conscientização, palestras, rodas de conversa e atividades voltadas à prevenção do sofrimento psíquico, ao fortalecimento das habilidades socioemocionais e à construção de um ambiente universitário mais acolhedor e humanizado. “A Universidade promove iniciativas como o ConectaMENTE - Congresso de Saúde Mental, que reúne estudantes, docentes e profissionais para discutir os desafios da saúde mental no ensino superior e reforçar a importância do acolhimento, da escuta qualificada e da valorização da vida. Cuidar da saúde mental dos universitários é uma responsabilidade compartilhada entre estudantes, professores e instituição.”
Fabiana Darc Miranda é Psicóloga e Neuropsicóloga, Docente na Faculdade de Psicologia da UniRV, Coordenadora do Laboratório de Psicologia Escolar/educacional e Processos educativos (LAPEE), Doutora em Psicologia do Desenvolvimento e Escolar (UnB), e Doutora em Psicologia Social (UERJ).
Equipe Ascom UniRV
Jornalista Vanderli Silvestre - CRP 4126/GO
Arte: Vinicius Macedo