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Pesquisa da UniRV mostra impacto da produção de cana-de-açúcar na saúde do solo

Publicado em: 01-09-2026
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Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Rio Verde (UniRV) revela como as práticas de cultivo da cana-de-açúcar influenciam diretamente a saúde do solo e o armazenamento de carbono, um fator decisivo tanto para a fertilidade da terra quanto para o combate ao aquecimento global.
 
O trabalho foi desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa Gestão Sustentável do Solo e Sequestro de Carbono, e foi liderado pela Profa. Dra. Rose Luiza Moraes Tavares, em colaboração com o Prof. Dr. Ricardo de Castro Dias, do Grupo de Apoio à Pesquisa da ESALQ-USP, em Piracicaba (SP), junto com os demais professores e pesquisadores da UniRV: Profa. Dra. Veridiana Cardozo Gonçalves Cantão, Prof. Dr. Paulo Fernandes Boldrin e Prof. Dr. Gilmar Oliveira Santos, e os mestrandos em agronomia Vladiel de Freitas Almeida Soares das Dores e Antônio Guilherme Cruvinel.
 
A equipe reuniu e analisou dezenas de estudos já publicados sobre os efeitos do cultivo da cana no solo, comparou dados sobre a quantidade de carbono armazenada no solo conforme o tipo de colheita, calculou o impacto nacional a partir de dados de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) para estimar o potencial de benefício das boas práticas de manejo em escala nacional e verificou indicadores de saúde do solo.
 
De acordo com o estudo, a matéria orgânica funciona como uma espécie de "reserva" de saúde do solo, responsável por reter água, nutrientes e carbono. Quando esse carbono permanece na terra, o solo se torna mais fértil e contribui para a qualidade do ar; quando escapa na forma de CO₂, o resultado é o empobrecimento do solo e o agravamento do aquecimento global.
 
Colheita e tipo de solo fazem a diferença
 
Um dos principais achados é o impacto positivo do fim das queimadas na colheita da cana. Quando a colheita é mecanizada, sem uso do fogo, os restos vegetais (palhiço) formam uma cobertura protetora sobre o solo, favorecendo o armazenamento de carbono em níveis que superam até mesmo culturas tradicionais, como soja e milho. Segundo o levantamento, esse manejo permite reter 43% mais carbono em comparação à queima do canavial, o que representa cerca de 20 toneladas a mais de carbono por hectare apenas na camada superficial do solo (até 10 cm de profundidade). Em escala nacional, a adoção dessa prática em solos do tipo Latossolo poderia reter até 2,9 milhões de toneladas de carbono por ano.
 
A pesquisa também mostra que solos argilosos retêm o carbono com muito mais eficiência do que solos arenosos, funcionando como uma espécie de "cola natural" que dificulta a perda do elemento para a atmosfera.
 
Além disso, a cada cinco ou seis anos, quando as plantas de cana precisam ser renovadas, o revolvimento intenso do solo com maquinário pesado pode causar perdas rápidas de carbono: em apenas 44 dias, até 80% do carbono acumulado ao longo de um ano pode ser liberado na atmosfera. Como alternativa, os pesquisadores recomendam o revolvimento mínimo do solo e o uso da técnica de Meiosi (o plantio de soja ou amendoim entre as linhas de cana durante seu crescimento), que ajuda a proteger o solo e ainda contribui com adubação natural via fixação de nitrogênio.
 
Contudo, o estudo alerta para os riscos do uso excessivo da palha da cana na geração de energia. A retirada de 50% da palha reduz em 9% a reserva de carbono do solo, e a retirada de 75% provoca uma queda de 14%. Em solos arenosos, o impacto pode ser ainda mais severo, com a produtividade levando até 18 anos para se recuperar.
 
Reaproveitamento de resíduos como adubo
 
Por fim, a pesquisa destaca o potencial da vinhaça e da torta de filtro, subprodutos da produção de álcool, como fontes de adubação natural. Combinados a fertilizantes organominerais, esses resíduos liberam nutrientes de forma gradual, mantém a produtividade equivalente à da adubação química convencional e podem gerar uma economia de quase 19% para o produtor.
 
Ao reunir e sistematizar o conhecimento científico disponível sobre o tema, o estudo oferece subsídios importantes para políticas públicas e práticas agrícolas mais sustentáveis em todo o Brasil, reforçando o papel da pesquisa acadêmica no enfrentamento dos desafios ambientais.
 
Para o Reitor da UniRV, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, a pesquisa reforça o compromisso da Instituição com a produção científica aplicada ao desenvolvimento do agronegócio. "Os resultados obtidos demonstram o potencial das práticas de manejo sustentável para o setor sucroenergético e reforçam a relevância da Universidade como polo gerador de conhecimento para o agro brasileiro. Trabalhos como este ampliam a projeção da Instituição no cenário científico nacional e contribuem diretamente para a construção de políticas públicas e práticas mais sustentáveis no campo", finalizou.
 
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Arte: Vinicius Macedo 

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