Problemas persistentes de concentração, memória e organização podem indicar a necessidade de uma avaliação mais aprofundada, especialmente durante a infância e a adolescência. É o que explica o Prof. Dr. Elton Brás Camargo Júnior, Pró-Reitor de Pós-Graduação na Universidade de Rio Verde (UniRV), mestre e doutor em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem Psiquiátrica da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP/USP).
Segundo o professor, durante a infância e a adolescência se destacam o desenvolvimento da atenção, memória, linguagem, funções executivas, aprendizagem, raciocínio, habilidades sociais e regulação emocional. Na infância, essas habilidades estão diretamente relacionadas à aquisição da leitura, escrita, cálculo, comunicação e autonomia. Já na adolescência, ganham importância o planejamento, o controle de impulsos, a tomada de decisão, a organização, a flexibilidade cognitiva e a capacidade de lidar com demandas escolares, sociais e emocionais mais complexas.
De acordo com professor Elton, as dificuldades de atenção, memória ou aprendizagem podem aparecer como desatenção frequente, esquecimento de instruções, dificuldade para terminar tarefas, baixo rendimento escolar, lentidão para aprender conteúdos, desorganização, perda de materiais, dificuldade para seguir regras ou sequências, irritabilidade, evitação de atividades escolares e baixa autoestima. Em alguns casos, alerta o especialista, a criança ou o adolescente pode ser visto como "preguiçoso" ou "desinteressado", quando, na verdade, há uma dificuldade cognitiva ou emocional interferindo no desempenho.
Mas nem toda dificuldade indica um problema mais sério. O Pró-Reitor pondera que dificuldades pontuais podem ocorrer em fases de adaptação, mudanças de rotina, cansaço ou maior exigência escolar. "No entanto, quando as dificuldades são persistentes, frequentes, causam prejuízo no rendimento escolar, na autonomia, no comportamento ou nas relações sociais, é importante investigar", afirma. Também merecem atenção, segundo ele, sinais como regressão de habilidades, sofrimento emocional intenso, grande discrepância entre esforço e desempenho, queixas recorrentes da escola ou dificuldade significativa em acompanhar crianças da mesma faixa etária.
O professor Elton chama atenção para o papel dos hábitos no desenvolvimento cognitivo. Sono inadequado, estresse elevado, excesso de telas e rotina desorganizada podem prejudicar a atenção, a memória, a aprendizagem, a regulação emocional e o comportamento infantojuvenil. Conforme explica, a privação de sono reduz a capacidade de concentração e de consolidação da memória, enquanto o estresse pode interferir no raciocínio, na motivação e no controle emocional. Já o uso excessivo de telas, destaca o especialista, tende a reduzir o tempo dedicado ao sono, à leitura, às interações sociais, às atividades físicas e às brincadeiras, elementos fundamentais para um desenvolvimento saudável.
A avaliação neuropsicológica, explica o docente, tem a função de investigar o funcionamento cognitivo, emocional e comportamental de crianças, adolescentes e adultos jovens, ajudando a identificar potencialidades e dificuldades em áreas como atenção, memória, linguagem, funções executivas, aprendizagem e comportamento. "Ela contribui para compreender se as queixas estão relacionadas a fatores do desenvolvimento, dificuldades escolares, transtornos do neurodesenvolvimento, condições emocionais, neurológicas ou outros aspectos que interferem no desempenho", pontua.
Segundo o especialista, a Neuropsicologia pode contribuir em diversas situações: dificuldades de aprendizagem, suspeita de TDAH, transtorno do espectro autista, deficiência intelectual, transtornos de linguagem, alterações de memória, dificuldades de organização e planejamento, baixo rendimento escolar, alterações comportamentais, sequelas de traumatismo craniano, epilepsia, doenças neurológicas, sofrimento psíquico e dúvidas diagnósticas. A área também auxilia na orientação familiar, escolar e terapêutica, indicando estratégias mais adequadas para cada caso.
Para o especialista, identificar essas dificuldades precocemente é determinante para o desenvolvimento e a aprendizagem. "A identificação precoce permite compreender melhor as necessidades da criança ou do jovem e iniciar intervenções mais adequadas", afirma. Isso pode evitar prejuízos acumulados na aprendizagem, reduzir o sofrimento emocional, prevenir a baixa autoestima e melhorar a relação com a escola, a família e os colegas. Quanto mais cedo as dificuldades são reconhecidas, maiores são as chances de promover estratégias de apoio, adaptação e desenvolvimento das habilidades necessárias para uma trajetória mais saudável.
A formação de profissionais preparados para atuar nessa área é uma das demandas crescentes da saúde e da educação. Com esse olhar, a UniRV oferece a
Especialização em Neuropsicologia, voltada para profissionais que desejam aprofundar seus conhecimentos sobre avaliação e intervenção neuropsicológica.
Para o Reitor da UniRV, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, investir na formação de especialistas capacitados para atuar nessa área é também investir no futuro da educação e da saúde da região. "Compreender as dificuldades de aprendizagem de crianças e jovens é essencial para transformar suas trajetórias escolares e de vida. Por isso, a UniRV reforça seu compromisso com a formação de profissionais qualificados, capazes de atuar com responsabilidade técnica e sensibilidade humana junto às famílias, às escolas e à comunidade", destaca.
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Arte: Vinicius Macedo