Uma anta (Tapirus terrestris) foi resgatada na última sexta-feira pela equipe do Corpo de Bombeiros, após chamado de moradores de uma área rural de Rio Verde. O animal havia sido atropelado e estava nas proximidades de uma fazenda, com mobilidade reduzida e dificuldade para se alimentar.
O animal foi encaminhado à Clínica-Escola de Grandes Animais da Universidade de Rio Verde (UniRV), onde recebeu atendimento médico. Por ser um mamífero silvestre de grande porte, precisou ser sedada para o transporte e para receber soro venoso, além de passar por exames. Conforme avaliação preliminar, o animal apresenta fratura na mandíbula, mas, como permanece sedada, não é possível avaliar a extensão completa das lesões. A clínica funciona como ponto de atendimento temporário para cuidado desses animais resgatados, enquanto aguarda transferência para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), em Goiânia.
Segundo a Profa. Ma. Francielly Paludo, a UniRV eventualmente recebe animais silvestres resgatados para oferecer suporte temporário até que possam ser encaminhados a centros especializados. No caso da anta atendida pela Clínica Veterinária da Universidade, (uma fêmea adulta, com idade estimada entre três e quatro anos e peso entre 260 e 280 quilos), a equipe realizou os primeiros cuidados, incluindo fisioterapia, medicação para controle da dor, coleta de sangue e exames clínicos.
A professora destaca que ocorrências envolvendo animais silvestres em rodovias têm se tornado cada vez mais frequentes. Segundo ela, a expansão das áreas urbanas e agrícolas reduz o espaço disponível para a fauna nativa, levando os animais a se aproximarem de lavouras em busca de alimento. Com isso, aumenta também a exposição aos riscos de atropelamento em estradas e rodovias.
Nessas situações, a orientação é que a população acione imediatamente o Corpo de Bombeiros, responsável pelo resgate e encaminhamento adequado dos animais. Tentativas de captura ou manejo por pessoas sem treinamento podem colocar em risco tanto os animais quanto os envolvidos.
Além da anta, a Universidade já participou do atendimento de outros animais silvestres resgatados, como capivaras e canídeos silvestres. O atendimento também possui caráter formativo. Participaram da ocorrência os professores responsáveis, três alunos do internato e monitores da Clínica Veterinária, totalizando cerca de dez acadêmicos envolvidos. A atividade proporcionou aos estudantes uma experiência prática rara, especialmente para aqueles que estão na fase final do curso e já acompanham atendimentos clínicos com maior autonomia.
Francielly observa ainda que o interesse dos estudantes pela área de animais silvestres tem aumentado nos últimos anos. Apesar disso, a quantidade de profissionais especializados é considerada pequena diante da demanda existente na região. Para os acadêmicos envolvidos no atendimento, a experiência representou uma oportunidade de aprendizado. A estudante Ana Luiza, do 8º período de Medicina Veterinária, destacou o impacto de acompanhar de perto um animal silvestre de grande porte. "Foi muito interessante. Eu não imaginava que uma anta pudesse chegar a esse tamanho. Quando falaram que ela viria para a clínica, imaginei um animal bem menor. Foi uma experiência realmente marcante", relatou.
A acadêmica também destaca que o internato tem proporcionado uma vivência maior da rotina profissional. "Aqui conseguimos focar muito mais na prática, acompanhamos os casos diretamente, participamos dos atendimentos e continuamos estudando cada situação fora da clínica. Isso torna o aprendizado muito mais completo", afirmou.
Lucas Augusto, também do 8º período, ressaltou que o atendimento surpreendeu toda a equipe. Segundo ele, além do porte do animal, a experiência permitiu compreender melhor os desafios do manejo de espécies silvestres. "Quando começamos a trabalhar com o animal, percebemos toda a complexidade do atendimento. Mesmo não sendo um animal agressivo, ela se estressa durante alguns procedimentos, o que exige cuidados específicos. A gente aprende muito com isso", explicou.
Para Lucas, a experiência reforça uma realidade cada vez mais presente na atuação do médico veterinário. "Muitas vezes pensamos apenas em cães, gatos, bovinos e equinos, mas existem também os animais silvestres e os chamados pets exóticos. Hoje vemos cada vez mais pessoas criando espécies como tartarugas, lagartos e serpentes. Ter contato com casos como esse durante a graduação é importante porque amplia nossa visão profissional e nos prepara para situações que podem surgir ao longo da carreira", destacou.
Os acadêmicos ressaltam que experiências como essa complementam a formação universitária e permitem contato com situações que vão além da rotina convencional da clínica veterinária, contribuindo para uma preparação mais abrangente dos futuros profissionais.
Para o Reitor da UniRV, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, casos como o da anta resgatada reforçam o papel social da instituição para além da sala de aula. "Esse tipo de atendimento traduz exatamente aquilo que a UniRV busca formar: profissionais tecnicamente preparados e sensíveis às demandas da nossa região, incluindo o cuidado com a fauna silvestre. Cada caso como esse é também uma oportunidade de a Universidade devolver à sociedade parte do conhecimento que produz, ao mesmo tempo em que forma médicos veterinários mais completos e conscientes de sua responsabilidade com o meio ambiente", destacou.
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Fotos: Marcos Santos