Eles já são símbolo na UniRV e dão inspiração, inclusive, ao nome da incubadora de empresas da Universidade, a YpeTec. De diversas cores, as flores podem ser vistas de longe e, apesar de breve, chamam a atenção de todos que passam.
A ordem de floração dos ipês no Brasil geralmente ocorre de junho a outubro: ipê-roxo (junho a julho); ipê-amarelo (julho a agosto); ipê-rosa (agosto a setembro); ipê-branco (setembro a outubro). Apesar de serem espécies nativas do Cerrado, eles podem ser vistos também em outros biomas e até em outros países. Algumas vezes, inclusive, uma mesma planta pode apresentar duas florações. Esse padrão não é anual, ocorre esporadicamente a depender das alterações dos fatores ambientais. Na UniRV, como existem espécies de ipê adultas tanto no ambiente urbanizado quanto em ambiente natural, dentro dos remanescentes de vegetação, é possível acompanhar o desenvolvimento das árvores e entender mais sobre os efeitos do ambiente urbano, a biologia e o impacto das mudanças climáticas.
No Cerrado, as espécies se adaptaram a florescer em duas épocas do ano. Algumas florescem no período chuvoso, quando há maior abundância de polinizadores e as condições ambientais são mais propícias à nutrição e à absorção de água. Já outras espécies, como os ipês e tantas outras (exemplo: sucupira, cajuzinho, cega-machado, pau-doce, caliandra), se adaptaram a florescer no período de seca. Essas plantas coevoluíram com seus polinizadores, ofertando a eles uma recompensa (seja de pólen ou de néctar) pela polinização, exatamente num período de maior escassez de alimento.
Nesse sentido, mais do que um verdadeiro cartão postal, os ipês cumprem um papel fundamental para a preservação do Cerrado. A Profa. Dra. Mariana Nascimento Siqueira fala sobre a importância da árvore, que vai além da beleza. “A floração dos ipês é muito rápida, pois a parte mais vistosa da flor, que são as pétalas, serve para atrair polinizadores e, ao mesmo tempo, proteger os órgãos reprodutores. Como a polinização é muito rápida (de 3 a 9 dias, a depender da espécie), essa peça floral se desliga rapidamente da flor, permitindo a formação das sementes e frutos. Seus principais polinizadores são abelhas, aves (beija-flores) e borboletas”, destaca.
Os ipês foram plantados na UniRV em 1989, pelo engenheiro florestal e docente da Instituição, Antônio Graciano Ribeiro (Tonhão), e, à época, pelo secretário da Agricultura de Rio Verde, engenheiro agrônomo Avelar de Moraes Macedo; pelo técnico em Agropecuária, Gerlos Mendonça de Moraes; e pelo técnico responsável pelo viveiro, Milton Kanaschiro.
Há mais de três décadas, as árvores acompanham gerações de estudantes universitários e servidores. “A floração das árvores é considerada mais que um aspecto paisagístico da Universidade. Ela se tornou um momento cultural e afetivo esperado no município de Rio Verde. Com a floração dos ipês amarelos, uma parcela considerável da população visita o campus da UniRV em Rio Verde com o intuito de registrar imagens da família, realizar ensaios pré-casamento, ensaios de aniversário, vídeos musicais e tantos outros momentos especiais na vida dos moradores da cidade”, reforça Mariana.
O Reitor da UniRV, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, também acompanha de perto a floração dos ipês. “Os ipês fazem parte da identidade da nossa Universidade. Eles simbolizam a força e a resistência do Cerrado e, todos os anos, nos lembram da importância de cuidar do meio ambiente que nos cerca. Mais do que embelezar o campus, essas árvores carregam história, ciência e afeto, unindo a comunidade acadêmica e a população de Rio Verde em torno de um mesmo sentimento de pertencimento e cuidado com a natureza”, destaca o Reitor.
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Fotos: Marcos Santos