Uma
pesquisa conduzida por professores da Universidade de Rio Verde (UniRV), em parceria com a Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC), revelou que 41,1% das crianças brasileiras de 5 anos apresentam consequências clínicas graves de cáries não tratadas, condições como envolvimento pulpar, ulcerações, fístulas e abscessos, com impacto direto e mensurável na qualidade de vida.
O estudo foi publicado recentemente na Revista Brasileira de Epidemiologia. O trabalho foi desenvolvido pelos pesquisadores da UniRV: Prof. Dr. Renato Canevari Dutra da Silva, Dra. Heloísa Silva Guerra, a diretora da Faculdade de Odontologia, Profa. Dra. Francine Lorencetti da Silva Campioni e o Pró-Reitor de Pós-Graduação, Prof. Dr. Elton Brás Camargo Júnior. Também integram a equipe do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UNESC, em Criciúma (SC): a Dra. Fernanda Oliveira Meller, Cleidiane Aparecida de Quadra e o Dr. Antônio Augusto Schäfer, que além da UNESC também é docente visitante na UniRV.
Metodologia e abrangência
A pesquisa utilizou dados da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2023), coordenada pelo Ministério da Saúde, com coleta realizada entre 2022 e 2023. Foram analisadas informações de 7.198 crianças de 5 anos, examinadas em domicílios por equipes de cirurgiões-dentistas treinados e calibrados, com representatividade nacional, regional e por tipo de município.
A presença de lesões graves foi avaliada pelo índice PUFA (sigla para Envolvimento Pulpar, Ulceração, Fístula e Abscesso), enquanto a qualidade de vida foi mensurada pelo instrumento validado SOHO-5 (Scale of Oral Health Outcomes for 5-year-old children).
O que os dados revelaram
Os resultados apontam desigualdades expressivas. Crianças pretas, amarelas, pardas e indígenas apresentaram prevalência significativamente maior de lesões graves em comparação às brancas, com destaque para a população indígena, cujo risco foi mais que o dobro. As regiões Norte e Centro-Oeste registraram prevalências mais altas do que a região Sudeste.
Frequentar a escola e pertencer a famílias com renda superior a R$4.000 mostraram-se fatores protetores, associados à menor ocorrência da doença. Por outro lado, crianças com cárie tiveram, em média, 1,44 ponto a mais no escore de impacto negativo à qualidade de vida, resultado mantido mesmo após os ajustes estatísticos, refletindo dor, dificuldades para mastigar, distúrbios do sono e prejuízos psicossociais.
Os pesquisadores concluem que o problema vai além da dimensão clínica e apontam para a necessidade de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da fluoretação da água, à ampliação das Equipes de Saúde Bucal na Estratégia Saúde da Família e ao investimento em ações preventivas no ambiente escolar.
UniRV atende crianças gratuitamente na Clínica-Escola de Odontologia
Os resultados da pesquisa reforçam a atuação da UniRV junto à comunidade. A
Clínica-Escola de Odontologia da Universidade, inaugurada em 2015, oferece atendimentos gratuitos à população em diversas especialidades, incluindo a Odontopediatria. Em 2025, foram realizados 1.243 atendimentos na área, distribuídos nos períodos integral e noturno.
Segundo a Profa. Dra. Francine Lorencetti da Silva Campioni, diretora da Faculdade de Odontologia e uma das autoras do estudo, os atendimentos são gratuitos para a população. O público atendido pela especialidade vai de recém-nascidos a crianças de até 12 anos. Entre os procedimentos disponíveis estão restaurações, tratamentos endodônticos, frenotomias, cirurgias e acompanhamento do desenvolvimento bucal desde os primeiros meses de vida.
Conforme o Reitor da UniRV, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, a pesquisa reflete o compromisso da Instituição em articular produção científica de relevância nacional com a prática clínica e o serviço à comunidade. Para ele, esse é o papel que uma universidade deve cumprir: gerar conhecimento que responda aos desafios reais da sociedade e que se traduza em benefício concreto para a população. “A UniRV entende que ensino, pesquisa e extensão são indissociáveis, e é a partir dessa integração que a Instituição cumpre sua missão formadora e seu compromisso com o desenvolvimento regional”, conclui.
Os atendimentos de Odontopediatria retornam em agosto, após o período de recesso acadêmico. Quem deseja agendar ou obter mais informações pode entrar em contato com a Clínica-Escola de Odontologia da UniRV pelos telefones: (64) 3611-2238 ou (64)99278-2017.
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Foto: Eduardo Thomaz