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Do dado à decisão: como a IA está revolucionando a gestão no campo

Publicado em: 30-06-2026
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A tecnologia revolucionou o campo e cada vez mais soluções de Agricultura Digital e Inteligência Artificial (IA) têm facilitado a rotina do produtor, potencializado a produtividade das lavouras, ajudado no controle de pragas e plantas daninhas e aprimorado a produção na pecuária.

Para Rio Verde, segundo maior PIB de Goiás e quinta maior economia do Centro-Oeste, além de maior produtor de grãos de Goiás e segundo maior produtor do país e primeiro em produção de proteína animal do Brasil, com forte presença de soja, milho, pecuária, agroindústria e cooperativismo, as oportunidades trazidas por essas tecnologias são significativas. O professor do Mestrado em Administração da UniRV, Dr. Dieisson Pivoto, analisa o cenário e explica como dados, automação e IA têm contribuído para reduzir custos e tornar a decisão do produtor mais precisa e por que a Universidade tem papel estratégico nesse processo.

Conforme o docente, em uma região marcada pela escala de produção, pequenos ganhos de eficiência, como uso mais preciso de insumos e pulverização mais inteligente podem representar resultados expressivos quando aplicados em grandes áreas. Ainda segundo o professor, o impacto da tecnologia no campo está diretamente ligado à qualidade da decisão do produtor. Quando plantar, onde corrigir o solo, quanto aplicar de fertilizante, quando pulverizar, qual talhão priorizar: cada uma dessas escolhas afeta diretamente produtividade e custo.

"A grande mudança é que o produtor deixa de olhar a propriedade apenas pela média", afirma Pivoto. Isso porque, segundo ele, a média muitas vezes esconde problemas, uma lavoura pode apresentar produtividade boa no geral, mas conter, dentro dela, áreas excelentes e áreas que dão prejuízo. Com mapas de produtividade, imagens de satélite, sensores, análise de solo e softwares de gestão, o produtor passa a enxergar essas diferenças e a agir de forma mais precisa, aplicando mais recursos onde há maior potencial de resposta e evitando desperdício onde o retorno é baixo.

A automação, explica o pesquisador, entra justamente para melhorar a eficiência operacional. Piloto automático, controle de seção e taxa variável reduzem sobreposição, falhas e desperdício de insumos, diesel e tempo de máquina, ganhos que fazem diferença em um cenário de margens cada vez mais apertadas.

Já a Inteligência Artificial adiciona uma camada de interpretação a esses dados, ajudando a identificar padrões, reconhecer plantas daninhas, estimar produtividade e gerar alertas de pragas e doenças. Na pecuária, a lógica é semelhante: sensores, coleiras inteligentes e ordenha robotizada permitem identificar precocemente queda de desempenho, cio ou problemas de saúde animal.

"No fundo, dados, automação e Inteligência Artificial ajudam o produtor a sair de uma gestão mais reativa para uma gestão mais preventiva", resume Pivoto. "A tecnologia não substitui a experiência do produtor, mas amplia essa experiência. A grande oportunidade para o produtor do sudoeste goiano é transformar tecnologia em gestão. Quem conseguir transformar dados em decisão, decisão em eficiência e eficiência em competitividade vai estar mais preparado para o futuro do agronegócio", analisa.

Do que já temos em termos de inovação para onde estamos indo no que há de mais moderno, Pivoto explica que tecnologias como GPS, piloto automático, drones, softwares de gestão e mapas de produtividade já fazem parte da rotina de boa parte dos produtores. Mas, uma nova fase está em curso, marcada por sistemas mais inteligentes, integrados e autônomos.

Um exemplo citado por ele é a pulverização com visão computacional, em que máquinas equipadas com câmeras identificam plantas daninhas em tempo real e aplicam herbicida apenas onde é necessário, caso de tecnologias como o See & Spray, da John Deere. "O pulverizador deixa de ser apenas uma máquina que aplica produto e passa a ser uma máquina que enxerga, interpreta e decide onde aplicar", destaca.

Para os próximos anos, o professor projeta avanço da automação em tratores, pulverizadores, plantadeiras e colhedoras, com operações cada vez mais semiautônomas. Também deve crescer o uso de robôs especializados, voltados a tarefas como monitoramento, capina mecânica e colheita de frutas e hortaliças, antes da chegada de robôs humanoides em larga escala, cujo uso, segundo ele, tende a se concentrar primeiro em ambientes controlados, como agroindústrias, galpões e estufas.

Outro conceito que deve ganhar espaço é o de gêmeo digital da propriedade: uma representação digital da fazenda que reúne dados de solo, clima, lavouras, máquinas, rebanho e custos em um mesmo ambiente, permitindo simular cenários antes de cada decisão.
Quanto a tecnologias mais futuristas, como robôs humanoides, o professor recomenda cautela quando se trata de grandes áreas de lavoura, dado o desafio representado por solo irregular, calor, poeira e custo elevado, fatores que devem manter, no curto prazo, a robótica concentrada em ambientes mais controlados.

O papel da UniRV na pesquisa e na formação de profissionais

Para o professor, a UniRV contribui com o avanço da Agricultura Digital e da Inteligência Artificial no agronegócio por três caminhos principais: pesquisa aplicada, formação de profissionais e aproximação com o setor produtivo.
Um dos focos da Universidade é compreender como essas tecnologias chegam até os produtores e quais barreiras dificultam sua adoção, sejam elas relacionadas a custo, conectividade, capacitação ou confiança nas ferramentas. "Quando a Universidade pesquisa esses fatores, ela ajuda a entender por que algumas tecnologias avançam mais rápido e outras demoram mais para chegar à prática", explica Pivoto.

A pesquisa aplicada também tem papel central, ao transformar problemas reais do agronegócio em projetos, testes e soluções. Nesse contexto, o AgroHub UniRV aproxima pesquisadores, estudantes, produtores, cooperativas, empresas e startups, uma articulação considerada essencial, já que, segundo o professor, a inovação no agro precisa nascer de problemas reais.

Já a pós-graduação da UniRV também tem papel estratégico nesse cenário, ao formar profissionais capazes de conectar o conhecimento técnico dos sistemas de produção com análise de dados, gestão e inovação.

De acordo com Pivoto, o campo precisa cada vez mais de profissionais que saibam interpretar dados, analisar indicadores e transformar informações em decisões mais inteligentes, atuando como ponte entre produtores, empresas de tecnologia, cooperativas, consultorias e agtechs. "O profissional formado nesse ambiente não é apenas um usuário de ferramentas digitais, mas alguém capaz de compreender o problema, interpretar as informações e apoiar decisões mais inteligentes no campo", afirma.

O Reitor da UniRV, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, reforça o compromisso da Instituição com o desenvolvimento do agronegócio regional. "A UniRV nasceu junto com a vocação produtiva de Rio Verde e do sudoeste goiano, e hoje cumprimos esse papel também pela via da inovação. Investir em pesquisa aplicada, em programas de pós-graduação conectados à realidade do campo e em ambientes como o AgroHub, onde temos a nossa incubadora de empresas com startups que propõe soluções tecnológicas para o agro, é a forma que a Universidade encontrou de aproximar ciência e produção, formando profissionais capazes de transformar dado em decisão e tecnologia em resultado para o produtor", conclui.

Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Arte: Vinicius Macedo

 

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