Com base em dados da estação meteorológica mantida pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) na Universidade de Rio Verde, o primeiro trimestre de 2026 contou com chuvas acima da média. Conheça os fatores que influenciaram esses registros, os impactos do excesso e possível mudança no padrão climático nos próximos meses, de acordo com o professor Dr. Gilmar Oliveira Santos.
Segundo ele, o início de 2026 em Rio Verde foi marcado por temperaturas dentro da normalidade, sem registros de extremos que chamassem a atenção, sendo que nesses primeiros três meses do ano, os termômetros oscilaram em torno de médias de 33°C para as máximas e 17,5°C para as mínimas, indicando um comportamento climático típico para o período.
Gilmar salienta que por um lado o calor se manteve estável, mas por outro, a chuva foi protagonista. O volume acumulado já alcança 942,8 mm, valor significativamente acima da média histórica de 736,7 mm, representando um excesso de aproximadamente 28%. Somente em janeiro, o município registou 475 milímetros de chuva, tornando-se o segundo mês de janeiro mais chuvoso desde 1972, ficando atrás apenas do recorde de 2013, quando foram registrados 539 mm.
O Professor explica que esse cenário foi influenciado principalmente pela atuação do fenômeno La Niña, que costuma intensificar as chuvas na região Centro-Oeste. “Para a população, o aumento das chuvas traz efeitos mistos. Por um lado, contribui para o abastecimento de reservatórios, melhora a qualidade do ar e reduz os impactos típicos do período seco, como queimadas e baixa umidade. Por outro, o volume elevado de chuvas pode causar transtornos urbanos, como alagamentos pontuais, aumento de casos de doenças relacionadas à umidade e dificuldades na mobilidade,” completa.
No setor agrícola, Gilmar reforça que o cenário também apresenta vantagens e desafios. “O bom volume de chuvas favorece o desenvolvimento das lavouras, especialmente culturas como soja e milho, garantindo melhores condições de crescimento e potencial produtivo. Além disso, contribui para a reposição da umidade do solo, essencial para o planejamento das safras seguintes,” afirma o especialista.
O Docente alerta acerca do volume elevado de chuvas que pode prejudicar operações no campo, como o plantio e a colheita, dificultando o acesso às áreas agrícolas e aumentando o risco de perdas por doenças fúngicas nas lavouras, e que em alguns casos, também pode haver lixiviação de nutrientes do solo, exigindo maior manejo por parte dos produtores.
Apesar do cenário positivo no acumulado, Gilmar pondera que a previsão indica redução no volume de chuvas nos próximos meses, com médias históricas de 107 mm em abril e 39 mm em maio, e esse comportamento indica a transição para o período seco na região. “Os modelos climáticos já indicam a possibilidade de transição para o fenômeno El Niño no início da próxima estação chuvosa. Diferentemente do cenário atual, o El Niño tende a provocar mudanças no regime de precipitações na região Centro-Oeste, podendo resultar em chuvas mais irregulares, com períodos de estiagem intercalados por eventos intensos,”.
Segundo ele, esse comportamento pode impactar diretamente o planejamento agrícola, especialmente no início do plantio da safra de verão, além de aumentar o risco de estresse hídrico para as culturas e exigir maior atenção ao manejo do solo e dos recursos hídricos. “O início de 2026 foi considerado favorável em termos hídricos, mas exigiu atenção tanto da população quanto do setor produtivo diante dos impactos do excesso de chuvas e da possível mudança no padrão climático nos próximos meses,” finaliza Gilmar.
Equipe Ascom UniRV
Jornalista Vanderli Silvestre - CRP 4126/GO
Arte: Vinicius Macedo