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Desafios enfrentados pela comunidade surda no Brasil

Publicado em: 31-03-2026
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A trajetória da comunidade surda no Brasil é marcada por uma luta constante pelo reconhecimento de sua identidade e pela garantia de direitos básicos. Apesar de avanços importantes, como a oficialização da Língua Brasileira de Sinais (Libras) em 2002, ainda existe uma grande distância entre o que está previsto em lei e o que é vivenciado no cotidiano.

Segundo o IBGE (Censo 2022), cerca de 2,6 milhões de brasileiros apresentam deficiência auditiva significativa, número que pode ultrapassar 10 milhões quando considerados todos os graus de perda auditiva. Embora o IBGE ainda não tenha divulgado dados detalhados sobre deficiência auditiva por estado, estima-se que Goiás possua cerca de 90 mil pessoas com deficiência auditiva significativa, com base na proporção nacional.

Professor de Libras da UniRV, Me. Daniel Alves Feliciano comenta sobre os desafios enfrentados pela comunidade surda e a importância da acessibilidade como ferramenta de inclusão. Segundo ele, um dos principais desafios enfrentados pela comunidade ainda é a comunicação. ”A principal dificuldade reside na falta de fluência da sociedade em Libras, mesmo sendo reconhecida por lei desde 2002, a Libras ainda não é amplamente difundida, o que isola o surdo em espaços públicos, hospitais e comércios,” comenta.

Outro ponto desafiador, segundo o Professor, é a inserção no mercado de trabalho, e mesmo com a existência da Lei de Cotas, a inclusão ainda é limitada. ”Apesar da Lei de Cotas, muitas empresas limitam a contratação à funções operacionais por não saberem como integrar o colaborador surdo à equipe, ignorando seu potencial intelectual e técnico”, destaca Daniel.
 

O Docente comenta ainda, que o preconceito também é um fator que contribui para a exclusão. “Estigma e Capacitismo: o preconceito enraizado, que muitas vezes enxerga a surdez como uma "limitação" a ser corrigida e não como uma diferença linguística e cultural, gerando marginalização social,” explica.

No contexto da acessibilidade, o Docente explica que representa um instrumento de autonomia e promoção de fatores importantes como a dignidade e o desenvolvimento econômico. “A acessibilidade não deve ser vista como um "favor", mas como um instrumento de autonomia. Quando garantimos recursos de acessibilidade, estamos promovendo a dignidade, por meio do acesso a intérpretes em órgãos públicos e legendas em contextos audiovisuais, por exemplo, que permitem que o individuo exerça sua vontade sem depender de terceiros,”

Daniel completa ainda falando sobre a importância da inclusão social, no sentido do desenvolvimento econômico, ao incluir surdos no mercado de trabalho e no consumo, aproveitando assim, talentos diversos e movimentando a economia. Além disso, o Docente acrescenta, sobre a importância da equidade social, onde a acessibilidade física e digital reduzem o abismo de oportunidades entre ouvintes e surdos.

No campo da educação, Daniel comenta sobre a importância da presença de intérpretes   qualificados e materiais didáticos adaptados para facilitar o desenvolvimento cognitivo e acadêmicos dos alunos surdos. Na Universidade de Rio Verde, onde o Docente ensina, a disciplina de Libras é optativa para os cursos de graduação. Além disso, há a disponibilização de turmas em Libras como parte das atividades extracurriculares. E para facilitar a jornada dos acadêmicos surdos, a  UniRV conta com intérpretes disponíveis durante as atividades acadêmicas.

“Superar os desafios da comunidade surda no Brasil exige mais do que leis; demanda uma mudança de mentalidade. Investir em acessibilidade e na difusão da Libras é reconhecer que a comunicação é um direito humano e que a diversidade é o que fortalece o tecido social brasileiro,” finaliza Daniel.
 
 
Equipe Ascom UniRV
Jornalista Vanderli Silvestre - CRP 4126/GO
Arte: Vinicius Macedo 

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