Com a chegada do período de declaração do Imposto de Renda 2026, muitas dúvidas têm surgido entre os contribuintes, principalmente em relação às mudanças anunciadas pelo Governo Federal. Para esclarecer o que realmente muda neste momento e o que ainda está em discussão, o Professor Me. Ricardo Neves, da Faculdade de Ciências Contábeis da Universidade de Rio Verde, explica os principais pontos.
De acordo com o Professor, uma das principais novidades está na modernização do sistema da Receita Federal, que passou a incorporar mais dados de forma automática. “As declarações estão mais inteligentes. A versão pré-preenchida foi ampliada e agora traz alertas que ajudam o contribuinte a identificar inconsistências antes mesmo do envio”, explica.
Além disso, segundo o Professor, o sistema passou a incluir novos campos cadastrais, como nome social e informações de raça e cor do contribuinte e de seus dependentes. Também houve a inclusão obrigatória de informações relacionadas a apostas esportivas, com códigos específicos para esse tipo de rendimento. Outra mudança relevante envolve o calendário de restituições, que em 2026 contará com quatro lotes, previstos para os dias 29 de maio, 30 de junho, 31 de julho e 31 de agosto.
Uma das novidades que mais chama atenção é a criação de um mecanismo de restituição automática, conhecido como “cashback do IR”. Segundo o Professor Ricardo, a medida deve beneficiar cerca de quatro milhões de pessoas já em 2026. “Trata-se de um lote especial destinado a trabalhadores que tiveram imposto retido na fonte, mas que não são obrigados a declarar. Esse pagamento está previsto para o dia 15 de julho”, destaca.
Um dos principais pontos de dúvida entre os contribuintes é a nova faixa de isenção para quem recebe até R$ 5 mil mensais. Embora a medida já esteja em vigor desde janeiro de 2026, seu impacto ainda não aparece na declaração deste ano. “A declaração de 2026 considera os rendimentos de 2025, quando essa regra ainda não existia. Na prática, o contribuinte só vai sentir esse efeito na declaração de 2027”, esclarece o Professor.
Apesar disso, o Professor destaca que a mudança já começou a impactar o bolso dos trabalhadores, reduzindo o desconto do imposto diretamente na folha de pagamento ao longo de 2026.
O Professor reforça que deve declarar o contribuinte que, em 2025, se enquadrou em critérios como: rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00; rendimentos isentos superiores a R$ 200 mil; operações em bolsa acima de R$ 40 mil ou com lucro; posse de bens acima de R$ 800 mil; receita rural superior a R$ 177.920,00; ou investimentos no exterior.
Também entram na obrigatoriedade situações como ganho de capital, mudança de residência para o Brasil e reinvestimento em imóvel com isenção.
Entre os principais motivos de retenção na malha fina, o Professor destaca: despesas médicas sem comprovação (32,6%); omissão de rendimentos (30,8%); deduções indevidas; divergência com dados das fontes pagadoras. “Um erro muito comum é declarar despesas com medicamentos, que não são dedutíveis. Outro é incluir dependentes e esquecer de informar os rendimentos deles”, alerta.
A escolha entre os modelos de declaração também gera dúvidas. Segundo o Professor Ricardo, o próprio sistema da Receita ajuda nessa decisão. “O programa faz automaticamente a simulação e indica qual modelo é mais vantajoso. Quem tem muitas despesas dedutíveis, como saúde e educação, costuma se beneficiar do modelo completo”, explica.
Caso o contribuinte identifique erros após o envio, é possível fazer uma declaração retificadora. No entanto, há um ponto de atenção importante. “Depois do prazo final, não é mais possível trocar o modelo de tributação. Por isso, a simulação antes do envio é fundamental”, orienta.
Outro ponto importante é a declaração de rendas informais, como freelances, vendas online ou trabalhos autônomos. “Toda renda deve ser informada. Quem recebe de pessoa física precisa recolher o Carnê-Leão mensalmente. A omissão desses valores é um dos principais motivos de inconsistência”, afirma.
A inclusão de dependentes pode trazer benefícios, mas também exige atenção. “Incluir um dependente significa somar toda a renda dele à do titular. Isso pode aumentar o imposto. Vale a pena quando há despesas dedutíveis relevantes e baixa renda do dependente”, explica.
Para casos mais complexos, como investimentos, atividade rural, MEI, herança ou múltiplas fontes de renda, o Professor recomenda buscar apoio profissional. “O custo de um contador é muito menor do que o prejuízo de uma declaração incorreta. Mesmo com a declaração pré-preenchida, a responsabilidade final é sempre do contribuinte”, destaca.
Uma possibilidade ainda pouco conhecida é a destinação de parte do imposto devido para fundos sociais. “O contribuinte pode direcionar até 6% do imposto para fundos da criança, do adolescente e do idoso, diretamente pelo sistema da Receita, sem custo adicional”, orienta o Professor.
O Reitor, Professor Dr. Alberto Barella Netto, destaca a importância desses esclarecimentos. “Levar informação clara e confiável à população é também uma missão da Universidade. Ao esclarecer dúvidas sobre o Imposto de Renda, contribuímos para que os cidadãos ajam com mais segurança e evitem problemas futuros, além de promover educação financeira e cidadania”, afirma.
Equipe ASCOM
Jornalista Ana Júlia Sales
Arte: Vinícius Macedo