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Egressa da UniRV conquista 1º lugar em prêmio acadêmico do Crea-GO

Publicado em: 27-10-2026
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O trabalho de conclusão de curso da egressa Maria Eduarda Silva Arantes, formada em Engenharia Civil pela Universidade de Rio Verde (UniRV), ficou em primeiro lugar entre os cinco finalistas do IV Prêmio Crea Goiás de Destaque Acadêmico 2026. Promovida pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO), a premiação reconhece pesquisas de estudantes, egressos e professores orientadores de instituições de ensino do estado.
 

Nesta edição, 36 trabalhos foram inscritos nas áreas de Engenharia, Agronomia e Geociências. A conquista mostra como a pesquisa feita na graduação pode apontar soluções aplicáveis a desafios ambientais e tecnológicos.

A UniRV foi representada na cerimônia, realizada nesta segunda-feira, 26, pelo professor da Faculdade de Agronomia e conselheiro do Crea-GO, Prof. Dr. Paulo Fernandes Boldrin, e pelo Pró-Reitor de Pesquisa e Inovação, Prof. Dr. Carlos César Evangelista de Menezes, que esteve presente em nome do Reitor, Prof. Dr. Alberto Barella Netto. Além das homenagens à estudante e ao orientador, Prof. Dr. Bacus de Oliveira Nahime, a UniRV recebeu um troféu institucional, concedido à instituição responsável pelo trabalho vencedor.

“É uma satisfação participar de um momento como esse. Mais do que reconhecer um trabalho, a premiação incentiva os jovens a produzir conhecimento e pensar em como transformá-lo em soluções que contribuam para a qualidade de vida da população. É importante que a pesquisa ultrapasse os limites da universidade e gere resultados que possam beneficiar a sociedade”, afirmou o Pró-Reitor.
 

Ao receber o prêmio, Maria Eduarda falou dos desafios da pesquisa e a importância do apoio recebido durante a graduação. Segundo ela, o trabalho científico exige dedicação e persistência, mas o reconhecimento reforça o valor do esforço. Ela agradeceu à UniRV pelo suporte na formação e ao orientador pela condução do estudo.
 

A pesquisa

Orientada pelo Prof. Dr. Bacus de Oliveira Nahime, a pesquisa Cinzas de bagaço de cana-de-açúcar como material cimentício suplementar em argamassas: desempenho mecânico e microestrutural investigou uma alternativa para reduzir o consumo de cimento na construção civil por meio do reaproveitamento de um resíduo abundante da agroindústria goiana.

A cinza estudada é gerada pela queima do bagaço da cana-de-açúcar em caldeiras de usinas, para a produção de energia. Em vez de ser tratada apenas como resíduo, ela pode ser incorporada a materiais de construção. A proposta ganha relevância diante dos impactos ambientais do cimento Portland, cuja fabricação responde por parcela significativa das emissões globais de dióxido de carbono (CO₂).

Para avaliar a viabilidade, Maria Eduarda substituiu 10% do cimento por cinza de duas usinas goianas, uma em Rio Verde e outra em Jataí. As amostras foram peneiradas para obter partículas de diferentes tamanhos, o que permitiu comparar a influência da origem e da granulometria no desempenho das argamassas.

Os ensaios mediram a resistência à compressão aos 7, 28 e 56 dias de cura e a absorção de água por capilaridade, indicador da facilidade com que a umidade penetra no material. A argamassa convencional apresentou maior resistência nas primeiras idades, mas, aos 56 dias, a mistura com a cinza mais fina de Jataí alcançou 40,2 megapascais (MPa), contra 35,8 MPa da convencional, um desempenho 12,3% superior. Essa mesma mistura reduziu em cerca de 60% a absorção de água por capilaridade, característica que pode contribuir para a durabilidade do material.

As análises químicas e microestruturais ajudam a explicar o resultado. A cinza fina de Jataí apresentou elevado teor de sílica amorfa, que reage com compostos do cimento e forma produtos capazes de preencher os microporos da argamassa. Esse processo, chamado de reação pozolânica, alterou a estrutura interna do material: na mistura de melhor desempenho, a quantidade de portlandita residual (hidróxido de cálcio, subproduto da hidratação do cimento) caiu 38,2%.

Os dados indicam que a substituição de parte do cimento por cinza não garante os mesmos resultados em todas as misturas. A origem do resíduo, sua composição química e o tamanho das partículas são determinantes para a eficiência.

Além de apontar uma alternativa para diminuir o consumo de cimento, o trabalho mostra possibilidades de valorização de um resíduo da cadeia sucroenergética, aproximando a agroindústria da construção civil. A aplicação em escala comercial, porém, depende de avaliações adicionais e do controle das características do material.

Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Fotos: Silvio Simões (Crea-GO)
 

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