Quando a ciência sai dos laboratórios e chega à comunidade, o conhecimento vira desenvolvimento, e esse é o caminho que a pesquisa científica tem percorrido na Universidade de Rio Verde (UniRV). Por meio do ensino, da pesquisa e da extensão, a Instituição tem formado profissionais, gerado inovação e oferecido respostas concretas aos desafios reais. Um exemplo dos resultados de impacto real está nos estudos do professor Dr. Guilherme Braga Pereira Braz, que se dedica ao manejo de plantas daninhas. Em parceria com empresas e com a participação de estudantes da Faculdade de Agronomia e dos Programas de Pós-Graduação em Produção Vegetal, investiga como devolver eficiência ao controle de espécies que deixaram de responder aos herbicidas tradicionais. Os resultados têm orientado produtores sobre quais produtos usar, como posicioná-los e em quais condições de solo e de chuva a aplicação funciona melhor.
O tema é grave em escala mundial, e o Brasil está entre os países mais afetados. Segundo a Embrapa, o país é o quinto do mundo em número de casos de resistência, e hoje dez espécies já resistem ao glifosato. A própria Embrapa já constatou uma planta de buva resistente a cinco mecanismos de ação, o que reduz as opções de rotação de produtos. Em publicação da Embrapa Soja, os pesquisadores explicam que a resistência surge pela seleção de biótipos já presentes na lavoura, em função de aplicações repetidas de um mesmo herbicida ou de herbicidas com o mesmo mecanismo de ação, e que o uso intensivo do glifosato levou à seleção de sete espécies resistentes no país.
Para a região da UniRV, o tema ganha peso extra. No 12º Levantamento da Conab, divulgado em setembro de 2026, a safra brasileira de grãos 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas, com a soja projetada em 180,4 milhões de toneladas, a maior produção já registrada na série de acompanhamento do órgão. Em Goiás, a Secretaria de Agricultura informou, com base no 5º Boletim da Conab, que a soja deve ocupar 5,1 milhões de hectares, crescimento de 4% sobre o ciclo anterior, com produção estimada em 19,8 milhões de toneladas. Com áreas tão extensas, qualquer falha no controle das plantas daninhas se multiplica em prejuízo, e por isso as pesquisas da universidade têm tanta relevância para quem produz no sudoeste goiano.
É nesse cenário que o professor Guilherme Braz contextualiza o problema. “Hoje a temática de plantas daninhas se constitui em um dos principais desafios fitossanitários da agricultura brasileira, pensando principalmente no contexto da soja, que é a principal cultura do país em termos de área semeada e tem grande importância econômica para o sudoeste de Goiás e toda a área de atuação da Universidade de Rio Verde”, afirma. Ele lembra que, dentro dessa área, existem três frentes de preocupação, que são as plantas daninhas, as pragas e as doenças.
A origem do problema está justamente na eficiência de uma tecnologia. Segundo o professor, o cenário atual é fruto do processo de resistência das plantas daninhas aos principais herbicidas. “Toda vez que o produtor vai plantar uma safra, ele usa herbicidas para fazer o manejo. Em função da ampla adoção do glifosato, que é o principal herbicida utilizado no Brasil e no mundo, acabaram sendo selecionadas espécies resistentes. Aquela plantinha que era facilmente controlada pelo glifosato passou a não ser mais controlada”, explica.
Guilherme comenta que diante disso, as pesquisas desenvolvidas passaram a concentrar esforços em respostas práticas. “A Universidade de Rio Verde, por meio da Faculdade de Agronomia e do Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal, tem trabalhado muito forte na pesquisa, principalmente no sentido de buscar soluções para essas plantas daninhas existentes e informações sobre quais práticas os produtores podem adotar para voltar a ter efetividade no controle”, diz o pesquisador.
Uma das principais frentes é o uso de herbicidas pré - emergentes, que são posicionados geralmente junto à semeadura da cultura, e o objetivo é impedir que as plantas daninhas se estabeleçam. “Se elas não emergem, você atenua o problema da resistência como um todo, porque não vai ter mais plantas vivas e consegue ter um bom controle”, destaca o professor.
Segundo Guilherme, ao longo dos anos, os trabalhos desenvolvidos têm gerado dados importantes. “Conseguimos gerar informações sobre quais são os melhores princípios ativos, quais os melhores produtos e como deve ser feito o posicionamento de acordo com o tipo de solo do produtor, com a condição de pluviometria e de umidade. Com tudo isso, a gente consegue realmente auxiliar os produtores”, afirma.
Ele completa que a segunda linha de trabalho trata da seletividade, que mede a segurança do produto para a cultura. “Às vezes a gente usa esses produtos, mas se faz um posicionamento que não está de acordo com a recomendação técnica, pode ter prejuízos pela falta de seletividade e de segurança”.
Para Guilherme Braz, esse conjunto de ações tem contribuído para amenizar, ao menos em parte, o problema da resistência. “Além da pesquisa, também desenvolvemos ações de extensão por meio da participação em congressos científicos, da realização de palestras para produtores rurais e de visitas técnicas. Todas essas iniciativas têm contribuído para amenizar, em parte, o problema da resistência, por meio da atuação da Universidade de Rio Verde.” finaliza.
“O conhecimento produzido dentro de uma universidade só cumpre sua missão quando chega a quem precisa dele. Por isso, as pesquisas desenvolvidas na UniRV nascem dos desafios reais e retornam como soluções concretas para quem produz, para quem cuida e para quem constrói o futuro. Quando um professor, um estudante e um parceiro trabalham juntos, o resultado vai além do laboratório e transforma o campo e a vida das pessoas. Esse é o papel de uma universidade comprometida com a sociedade, e é com esse compromisso que a UniRV segue formando profissionais, gerando inovação e entregando resultados de impacto real para a sociedade, ” comenta o Reitor professor Dr. Alberto Barella Netto.
Equipe Ascom UniRV
Jornalista Vanderli Silvestre - MTB 4126/GO
Arte: Rogério Guimarães