Teve início na noite desta quinta-feira, 27, a 1ª Jornada de Psicanálise da UniRV. Em sua primeira edição, a Jornada propõe como tema central "O impacto emocional das bets e das redes sociais na adolescência e juventude", trazendo para o espaço acadêmico uma discussão atual e necessária sobre os efeitos do ambiente digital, das novas formas de interação social e da crescente exposição às plataformas de apostas na vida emocional de adolescentes e jovens.
A programação reúne profissionais e pesquisadores com diferentes trajetórias acadêmicas e clínicas, que conduzirão atividades voltadas a temas fundamentais para a compreensão do sujeito, do sofrimento psíquico e da prática psicanalítica. Entre os assuntos abordados estão o narcisismo, as relações entre Psicanálise e questões de gênero, a psicopatologia psicanalítica, a Psicanálise Winnicottiana, a análise do contemporâneo, as singularidades da clínica, o diagnóstico e tratamento na clínica psicanalítica e os desafios da escuta de adolescentes na atualidade.
O evento é destinado especialmente a estudantes, professores, profissionais e demais interessados nas áreas de Psicologia, Psicanálise, Educação, Comunicação, Saúde e Ciências Humanas, constituindo-se como um espaço de aprendizado, diálogo e troca de experiências.
A abertura da noite ficou por conta da Orquestra Municipal de Sanfoneiros e Violeiros, que trouxe música e cultura à programação. Durante o evento, os professores da Faculdade de Psicologia da UniRV também foram homenageados pelos acadêmicos em celebração ao Dia do Psicólogo, comemorado nesta data.

Para o organizador do evento, Prof. Me. Joel Marcos Spadoni, a realização da 1ª Jornada de Psicanálise representa uma oportunidade de integração entre ensino, reflexão e prática, contribuindo para a formação acadêmica e profissional dos participantes. "Ao abordar fenômenos que fazem parte do cotidiano de adolescentes e jovens, o evento busca promover uma discussão interdisciplinar e socialmente relevante, incentivando futuros profissionais a desenvolverem um olhar mais atento, crítico e humanizado diante das transformações da sociedade e de seus impactos sobre a subjetividade", destaca.

Em pronunciamento, o professor Joel agradeceu a todos os envolvidos para que a noite acontecesse, em especial à Instituição, por todo o apoio. Ele relatou que o tema do evento partiu dos alunos do grupo de estudos da psicanálise e reforçou que as mídias digitais têm produzido impacto emocional na população, destacando que o saber psicanalítico pode contribuir para compreender tudo o que envolve a subjetividade humana.
A Profa. Ma. Graziela Nogueira prestou uma homenagem a Joel Spadoni, enfatizando a trajetória do professor que, segundo ela, abriu caminhos para os estudos em psicanálise em Rio Verde. "Sempre generoso em ensinar o que sabe, ensina por vocação e com prazer, ao nosso grupo mesmo já cedeu inúmeras vezes seu consultório, sua clínica e sua casa, para nos receber para estudar juntos, planejar cursos e outras iniciativas, um verdadeiro entusiasta da profissão e da psicanálise. São pessoas como você que nos fazem acreditar na profissão, esse encontro de hoje, tenho certeza, é uma grande realização para você, conseguir reunir tantos profissionais e jovens em formação para falar de psicanálise", afirmou.

A Diretora da Faculdade de Psicologia da UniRV, Profa. Dra. Sueli Caixeta destacou que a realização da 1ª Jornada de Psicanálise representa motivo de orgulho, especialmente pela oportunidade de promover o debate sobre um tema atual com a participação de profissionais capacitados. "Estamos sempre em processo de construção e reconstrução, e esta Jornada nasce do desejo e da dedicação do trabalho de muitos. A psicanálise é uma forma de entender o mundo, compreender os sujeitos e suas dores. Por isso, vamos explorar tudo o que esse conhecimento teórico e prático tem a nos ensinar", afirmou.
A professora também agradeceu aos convidados pela contribuição ao evento e por compartilharem conhecimentos construídos a partir da prática psicanalítica.
O primeiro dia contou com mesa-redonda composta pelo Prof. Dr. Diego Moraes, pela Ma. Renata Crispim e pela psicanalista e escritora Valéria Belém, reunindo profissionais e convidados com diferentes trajetórias de formação e atuação em um espaço de diálogo e troca de experiências.
Segundo o professor Diego, a psicanálise deve estar inserida no contexto histórico e social de seu tempo, indo além da atuação clínica tradicional. Ainda conforme o docente, desde sua origem, a área se dedica a compreender os modos de produção da subjetividade e os processos de adoecimento em diálogo direto com as transformações da sociedade. "Não é possível pensar os processos de adoecimento e de patologização sem estabelecer relações com o contexto social. Nesse sentido, a filosofia, especialmente a filosofia política, e a história social são ferramentas fundamentais para compreender esses fenômenos, formular hipóteses explicativas e pensar possibilidades de intervenção", destacou.
Ao abordar o tema central da Jornada, o docente ressaltou que um dos principais desafios está relacionado ao papel do próprio psicanalista diante dessas questões contemporâneas. "O trabalho do psicanalista não se restringe ao consultório. Além da escuta clínica, esse profissional também pode contribuir para o debate público, refletindo sobre os impactos de fenômenos sociais como as bets e colaborando na construção de políticas de saúde e de ações que enfrentem esses desafios", afirmou.
Outra convidada da noite, Renata Crispim, que tem mestrado na área de comunicação, ressaltou que a expansão das bets está diretamente associada à força dos discursos midiáticos e à intensa circulação de conteúdos nas redes sociais e nos meios de comunicação. "Trata-se de um fenômeno amplamente alimentado pela mídia e pela cultura digital. Sem essa estrutura de comunicação, dificilmente observaríamos uma disseminação tão rápida e intensa", avaliou.
A pesquisadora destacou ainda a relevância do evento e a importância do diálogo entre diferentes áreas do conhecimento para compreender um tema tão atual. "Não participo desse debate com a pretensão de apresentar respostas definitivas, mas de compartilhar inquietações e reflexões. As bets representam um problema social, mas também produzem impactos subjetivos e emocionais que precisam ser analisados. Esses espaços de discussão são importantes porque permitem reunir diferentes perspectivas sobre um mesmo fenômeno", pontuou.
Compartilhando opinião, a psicanalista Valéria Belém destacou a importância do diálogo e da troca de experiências para ampliar a compreensão sobre os temas discutidos na Jornada. Segundo ela, a diversidade de perspectivas presentes em eventos acadêmicos enriquece o debate e fortalece a construção coletiva do conhecimento. "Ninguém enfrenta esses desafios sozinho. Precisamos ampliar nossa aldeia e fortalecer as redes de apoio para promover mais qualidade de vida e bem-estar", afirmou.
Para a especialista, a psicanálise contribui para que as pessoas compreendam melhor seus processos subjetivos e desenvolvam formas mais saudáveis de lidar com os desafios da vida. Ela também ressaltou a relevância da família e das redes de apoio na formação de crianças e adolescentes, defendendo uma atuação conjunta entre profissionais, familiares e sociedade para promover saúde mental e qualidade de vida.
Nesta sexta-feira, 28, no segundo dia da 1ª Jornada, serão realizadas oficinas, ampliando a experiência proporcionada pelo evento e favorecendo a participação ativa dos estudantes. A proposta é aproximar os conhecimentos teóricos da prática, estimular o pensamento crítico e possibilitar novas formas de compreender os fenômenos que fazem parte da realidade contemporânea.
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Fotos: Marcos Santos