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Endividamento das famílias brasileiras atinge maior nível da série histórica

Publicado em: 20-07-2026
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A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou na última semana a mais recente Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), que mostrou que 81,6% das famílias possuem algum tipo de dívida, percentual igual ao registrado em maio e que mantém o indicador no maior nível da série histórica.

Segundo a professora da Faculdade de Ciências Contábeis da Universidade de Rio Verde (UniRV), Ma. Débora Ferguson, o dado evidencia que o crédito passou a integrar a dinâmica econômica das famílias brasileiras. "Atualmente, é comum que consumidores utilizem financiamentos, cartão de crédito, crédito consignado e compras parceladas para adquirir bens e organizar o fluxo de caixa, sem que isso represente, necessariamente, desequilíbrio financeiro", analisa.

Ainda segundo a professora, esse cenário também é resultado da elevação do custo de vida observada nos últimos anos. "O aumento das despesas com alimentação, habitação, saúde, energia e transporte fez com que muitas famílias recorressem ao crédito para complementar o orçamento. Soma-se a isso o elevado custo dos juros no Brasil, que prolonga o período de pagamento das dívidas e dificulta sua liquidação, o que revela uma economia cada vez mais dependente do crédito, reforçando a importância do planejamento financeiro e do consumo consciente", pondera.

Endividamento x inadimplência

Sobre a utilização de crédito, Débora explica que endividamento e inadimplência são situações distintas. Uma família endividada é aquela que possui compromissos financeiros assumidos, como financiamentos, empréstimos ou parcelas do cartão de crédito, independentemente de estarem sendo pagos em dia. Já a inadimplência ocorre quando essas obrigações deixam de ser quitadas dentro do prazo estabelecido.

Essa diferenciação evita interpretações equivocadas, já que nem toda família endividada enfrenta dificuldades financeiras, muitas utilizam o crédito de forma planejada e compatível com sua renda. "O indicador que merece maior atenção é a evolução da inadimplência e do comprometimento da renda, pois esses elementos refletem de forma mais precisa o grau de vulnerabilidade financeira das famílias", comenta.

No contexto municipal

Localizado no sudoeste goiano, Rio Verde apresenta uma economia impulsionada pelo agronegócio, pela agroindústria, pela logística e pelo comércio, o que favorece a geração de emprego, renda e investimentos, mas também torna a economia sensível às oscilações do setor agropecuário. "Quando ocorre redução da rentabilidade agrícola, seja por fatores climáticos, aumento dos custos de produção ou queda nos preços das commodities, os reflexos se espalham rapidamente por toda a cadeia econômica. O comércio tende a desacelerar, cresce a procura por renegociação de dívidas, investimentos são adiados e consumidores tornam-se mais cautelosos", analisa.

Nesse cenário, a Universidade pode contribuir para que estudantes, produtores rurais, empreendedores e famílias desenvolvam competências relacionadas ao planejamento financeiro, à utilização consciente do crédito e à gestão dos recursos pessoais e empresariais. "A Universidade possui um papel estratégico na formação de cidadãos preparados para tomar decisões econômicas responsáveis. Além da produção científica, as instituições de ensino superior podem desenvolver projetos de extensão, cursos, palestras e ações voltadas à educação financeira, aproximando o conhecimento acadêmico das necessidades da sociedade", observa.

Para evitar comprometer ainda mais a renda familiar e organizar as finanças, a professora recomenda agir preventivamente, identificando dificuldades para cumprir compromissos financeiros e reorganizando o orçamento sem comprometer a estabilidade. A orientação é elaborar um diagnóstico completo das receitas, despesas e dívidas, priorizar os gastos essenciais, reduzir despesas não indispensáveis e evitar novas compras financiadas enquanto o orçamento estiver pressionado, além de buscar a renegociação das dívidas antes do vencimento, principalmente quando envolvem modalidades de crédito com juros elevados, como cartão de crédito e cheque especial. "Investir em educação financeira, manter uma reserva para imprevistos sempre que possível e adotar hábitos permanentes de planejamento são medidas que fortalecem a segurança financeira das famílias e reduzem significativamente o risco de inadimplência", orienta.

Conforme o Reitor da UniRV, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, o tema é relevante e já faz parte das preocupações da Universidade. "Já temos, inclusive, pesquisa própria sobre isso: um estudo recente da UniRV mediu o nível de educação financeira entre estudantes de Contábeis e Administração e identificou que o conhecimento ainda é intermediário, mesmo entre quem estuda diretamente esse tipo de conteúdo. Isso mostra que a produção de conhecimento sobre o tema precisa continuar, e cada vez mais próxima da realidade das famílias da nossa região”, acrescenta.
 
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Arte: Vinicius Macedo 

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