A Universidade de Rio Verde (UniRV) tem conduzido, em suas áreas experimentais, um conjunto de pesquisas voltadas ao manejo de pastagens durante o período de transição das águas para a seca, uma das fases mais críticas para a pecuária, marcada pela redução na quantidade e na qualidade da forragem disponível.
Em uma das áreas de experimento, o Prof. Dr. Charles Barbosa Santos coordena um estudo que avalia o uso de solução salina como alternativa ao herbicida no controle de plantas invasoras. O experimento foi conduzido em duas condições distintas: parcelas irrigadas e não irrigadas. Segundo o docente, o resultado evidenciou de forma clara a diferença entre os dois cenários, enquanto a espécie forrageira teve desenvolvimento abundante nas áreas irrigadas, as parcelas sem irrigação praticamente não se desenvolveram, reforçando a relevância do manejo adequado da pastagem para a produção de forragem.
Já no campo agrostológico da Universidade, unidades demonstrativas reúnem diferentes variedades forrageiras cultivadas em distintos sistemas de produção. Ali, é possível observar o efeito da roçagem, que simula o pastejo dos animais. Nas condições atuais, de baixas temperaturas e umidade reduzida, o desenvolvimento do capim tem sido pequeno em todas as parcelas, um resultado que, segundo o professor, demonstra na prática a importância do manejo estratégico da pastagem voltado à produção de forragem.
O experimento também avalia três variedades de cultivares, capim curumi, capim elefante roxo e capim açu, que, mesmo sem sofrerem a ação do pastejo animal, não apresentam o mesmo desenvolvimento observado no período chuvoso. A comparação entre as variedades permite identificar quais espécies são mais tolerantes à estiagem e orientar produtores na escolha do sistema forrageiro mais adequado a cada propriedade.
De acordo com Charles, o objetivo central dessas pesquisas é gerar conhecimento aplicado ao manejo de pastagem, de forma a viabilizar a produção satisfatória de forragem para atender às necessidades do rebanho e, com isso, reduzir a dependência de rações e suplementos, especialmente no período de escassez que caracteriza essa fase de transição.
Qualidade do alimento é o principal desafio da seca
Da perspectiva da saúde animal, a Profa. Ma. Francielly Paludo traz um olhar complementar sobre o tema, voltado à nutrição e ao manejo animal durante a estiagem. Segundo ela, o maior impacto do período não está apenas na quantidade de forragem disponível, mas principalmente na sua qualidade. "A forrageira que o animal está consumindo é pobre em proteína, em energia e em minerais", explica a docente, acrescentando que esse déficit nutricional leva o animal a um quadro de baixa aquisição de nutrientes. A perda de peso é o sinal mais visível a olho nu, mas, segundo ela, os efeitos vão além: "pode gerar atraso no crescimento do animal, imunossupressão", alerta.
É por isso, conforme a professora, que o planejamento forrageiro e nutricional se torna essencial nesse período, envolvendo desde a reserva de silagem e feno até a pastagem irrigada, a suplementação no cocho e o controle da qualidade da água oferecida aos animais. "A gente costuma brincar que se você tem coragem de olhar e beber a água dos animais e ela está de boa qualidade, tudo bem; senão, é preciso mudar a forma como a água é ofertada", explica Francielly.
A pesquisadora reforça ainda que a estratégia de suplementação precisa ser planejada com antecedência e ajustada ao peso, à categoria e ao nível de produção de cada animal, sal mineral com ureia ou proteinado, ração, feno e silagem devem ser dosados de forma a suprir as necessidades nutricionais sem comprometer o orçamento da propriedade. O cuidado, segundo ela, não se limita à alimentação: inclui também o controle parasitológico, o calendário de vacinação, o manejo de sombra, o transporte dos animais em horários mais frescos, a atenção a plantas tóxicas mais resistentes à seca e, por isso, mais consumidas na ausência de pastagem e o acompanhamento constante de médico veterinário.
Na avaliação da professora, o planejamento forrageiro é a ferramenta que permite ao produtor equilibrar, ao longo de todo o ano, a quantidade e a qualidade de alimento necessárias para suprir a demanda do rebanho. A partir da estimativa do número de animais e do cálculo do consumo esperado, torna-se possível antecipar o período de seca geralmente entre maio e setembro e planejar com antecedência quanto produzir, quantos animais manter na propriedade ou até isolar áreas específicas de pastejo para a estiagem.
A ausência desse planejamento, alerta a especialista, é o principal erro observado nas propriedades: superlotação de animais em áreas que a pastagem não suporta, suplementação restrita apenas ao sal mineral, armazenagem inadequada dos alimentos e desconsideração das exigências nutricionais específicas de cada categoria animal, uma vaca em final de gestação, por exemplo, tem necessidades muito diferentes das de uma novilha. Para Francielly, a estratégia mais eficiente não é necessariamente a que emprega maior volume de suplemento, mas sim aquela que combina diferentes fontes de alimento de forma equilibrada e economicamente viável.
Os experimentos conduzidos pelo professor Charles nas áreas da UniRV reafirmam o compromisso da Instituição em produzir conhecimento científico aplicável à realidade do campo, unindo pesquisa, extensão e formação acadêmica em benefício da pecuária regional. A leitura complementar trazida pela professora Francielly reforça, na prática, como esses resultados de pesquisa dialogam diretamente com o manejo nutricional e o bem-estar animal nas propriedades.
Para o Reitor da UniRV, essas iniciativas expressam a vocação da Universidade como polo de ciência e inovação a serviço do agronegócio. "A UniRV reafirma, com pesquisas como essas, seu papel de protagonismo na produção de conhecimento aplicado ao agronegócio brasileiro. Cada experimento conduzido em nossos campos experimentais carrega o compromisso de nossos professores e pesquisadores em transformar ciência em soluções concretas para o produtor rural. Investir em pesquisa é investir no desenvolvimento sustentável da pecuária, na segurança alimentar e no futuro do nosso país”, conclui.
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo - MTE 3194/GO
Fotos: Prof. Dr. Charles Barbosa Santos