A investigação foi conduzida em rede de colaboração entre a Universidade de Rio Verde (UniRV), a Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade Federal de Goiás (UFG), avaliando 55 participantes. Os pesquisadores envolvidos foram o Prof. Dr. Guilherme Augusto Santos Bueno (UniRV/UnB), Murielle Celestino da Costa, Katarine Souza Costa e Dra. Ruth Losada de Menezes (UFG), Dr. Renato Canevari Dutra da Silva, Dr. Germano Gabriel Lima Esteves e o Pró-Reitor de Pós-Graduação da UniRV, Prof. Dr. Elton Brás Camargo Júnior (UniRV).
Os resultados indicaram que níveis elevados de medo de cair estão associados a uma mudança no controle motor: o movimento deixa de ser automático para se tornar um processo consciente e monitorado excessivamente pelo cérebro.
Essa transição para um processamento mais consciente resulta em uma latência motora significativamente maior. Enquanto participantes jovens apresentaram tempos de reação de aproximadamente 352 milissegundos, idosas com alto nível de medo de cair chegaram a registrar marcas superiores a 2.100 milissegundos.
Utilizando eletroencefalografia (EEG) de alta resolução, a equipe científica identificou que o medo de cair modula a assimetria cortical pré-frontal. Idosas com maior receio de quedas apresentaram uma dominância do hemisfério direito, padrão associado a emoções negativas, antecipação de riscos e comportamentos de esquiva. "O medo de cair emerge como um potencial biomarcador cortical de vulnerabilidade motora", destacam os autores no estudo.
A pesquisa revelou fortes correlações negativas entre a valência cortical (equilíbrio emocional no cérebro) e os tempos de reação, sugerindo que quanto maior a interferência emocional negativa, mais lenta é a resposta física.
Os achados reforçam a necessidade de estratégias de neurorreabilitação que integrem a regulação emocional e cortical para melhorar a mobilidade e reduzir o risco de quedas. Programas tradicionais focados apenas em força e equilíbrio podem ser insuficientes sem abordar a dimensão afetiva do movimento.
O autor principal do estudo, Prof. Dr. Guilherme Bueno, relata que a pesquisa foi desenvolvida a partir do Núcleo de Inovação e Pesquisa em Neurociência (NIPEN), que ele coordena na UniRV. O Núcleo tem sido pensado como um espaço de integração entre ensino, pesquisa e inovação. "A publicação em uma revista internacional de peso representa o fortalecimento de uma rede de pesquisa com docentes trabalhando em prol de pesquisa de impacto acadêmico, clínico e social", afirma.
O trabalho foi apoiado pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e pela FAPDF (Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal), sublinhando a importância do investimento em ciência para o entendimento dos mecanismos do envelhecimento humano.
Equipe Ascom UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Arte: Vinicius Macedo