A Universidade de Rio Verde (UniRV) participa de um projeto em rede financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que investiga o uso da estruvita como fertilizante fosfatado alternativo nas condições do Cerrado brasileiro. A pesquisa é coordenada pelo Dr. Caio de Teves Inácio, pesquisador da Embrapa Agrobiologia (RJ), e reúne instituições de diferentes regiões do país, entre elas, a Embrapa Solos, a Embrapa Suínos e Aves e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Na UniRV, a coordenação dos ensaios está a cargo da Profa. Dra. June Faria Scherrer Menezes, do Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal (PPGPV). Os experimentos foram conduzidos em Latossolo Vermelho, solo típico do Cerrado, com as culturas de soja e milho. A abordagem adotada seguiu uma progressão metodológica: os ensaios iniciais foram realizados em casa de vegetação e os tratamentos mais promissores estão sendo testados a campo na safra 2025/26, com soja, e na safrinha 2026, com milho.
A participação da UniRV no projeto também gerou formação qualificada. Dois mestrandos do PPGPV desenvolveram dissertações diretamente vinculadas ao tema. Mateus de Melo Ramos, bolsista CNPq, defendeu a dissertação intitulada Disponibilidade de fósforo em cultivo sequencial de plantas de soja, milho e braquiária utilizando estruvita, com orientação da Profa. June Faria e coorientação do Prof. Dr. Ricardo de Castro Dias. Renato de Souza Rodrigues investigou a Disponibilidade de fósforo e crescimento de plantas de soja e de milho adubadas com estruvita, também orientado pela Profa. June Faria e coorientado pelo Prof. Dr. Augusto Matias de Oliveira. Além dos mestrados, a acadêmica de Agronomia Amanda Basto Rocha atuou como bolsista de Iniciação Científica do CNPq, auxiliando na condução dos ensaios de campo, e outros discentes de graduação participaram das atividades experimentais ao longo do projeto.
A estruvita é um mineral composto por fosfato de magnésio e amônio (MgNH₄PO₄·6H₂O), obtido a partir da precipitação química de nutrientes presentes nos dejetos da suinocultura. Sua principal característica agronômica é a liberação lenta e gradual do fósforo, o que representa uma vantagem especialmente relevante em solos tropicais como o Latossolo Vermelho, onde o fósforo solúvel tende a ser rapidamente fixado pelos óxidos de ferro e alumínio. Os resultados preliminares da rede indicam que o produto foi capaz de suprir até 50% da demanda por fósforo da soja, mantendo produtividade equivalente à da média nacional.
O encerramento do projeto está previsto para esta semana, com a apresentação dos resultados finais por todos os coordenadores regionais em evento na sede da Embrapa Solos, no Rio de Janeiro. A ocasião marca a consolidação de uma base científica inédita sobre o comportamento da estruvita nas condições edafoclimáticas brasileiras, conhecimento essencial para que o produto avance rumo ao registro e à adoção comercial no campo.
Segundo a professora June, a iniciativa se insere num contexto estratégico para o agronegócio nacional, visto que, o Brasil importa cerca de 75% dos fertilizantes fosfatados que consome. “A pesquisa em rede, com a contribuição direta da UniRV nos ensaios do Cerrado, representa um passo concreto em direção à maior autonomia do país nesse insumo fundamental”, destaca.
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Fotos: Registro da pesquisa na UniRV