A presença feminina no empreendedorismo brasileiro vem crescendo de forma consistente nos últimos anos, embora o caminho para a igualdade ainda apresente desafios. No 4º trimestre de 2024, o Brasil registrou 30,4 milhões de donos de negócios, dos quais 10,4 milhões eram mulheres, o equivalente a 34,1% do total, segundo dados do IBGE. Entre os empreendedores em estágio inicial (com até 3,5 anos de mercado), a participação feminina já se aproxima da paridade: 46,8% são mulheres, conforme o relatório nacional do Global Entrepreneurship Monitor. No campo da inovação, um levantamento do Sebrae indica que 31% das startups brasileiras possuem ao menos uma mulher fundadora, sinalizando um avanço gradual também no ecossistema de tecnologia.
Neste mês da mulher, trazemos exemplos de quem está fazendo a diferença na área de inovação na Universidade de Rio Verde (UniRV). São mulheres que marcam presença tanto na coordenação quanto em startups incubadas na YpeTec, a incubadora de empresas da Instituição. A coordenadora de Inovação no AgroHub UniRV, Profa. Dra. Daniela Cabral de Oliveira, destaca que o empreendedorismo feminino é fundamental para construir um ecossistema mais diverso e transformador. Segundo ela, empreender significa não apenas desenvolver negócios, mas abrir caminhos para que outras mulheres ocupem espaços de liderança e tecnologia. Empreendedora da startup Secagem Digital, Daniela afirma que sua trajetória no agronegócio é marcada por desafios e aprendizados que exigem coragem para transformar ideias em soluções reais. Para a pesquisadora, iniciativas que incentivam o protagonismo feminino fortalecem redes de apoio e ampliam a presença das mulheres em áreas estratégicas como ciência e tecnologia.
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Ainda sobre a presença feminina nos ecossistemas de inovação, a consultora de inovação e negócios na UniRV, Profa. Dra. Juliana Suzin, compartilha uma análise baseada em sua trajetória. Para a especialista, a representatividade passa por duas perspectivas: a experiência de acolhimento e a barreira estrutural da legitimação. Juliana destaca que sua jornada foi marcada por ambientes que favoreceram lideranças femininas. "Em relação à atuação das mulheres na inovação, tive a sorte de contar com gestores e colegas que mantinham muito respeito pelas profissionais. O próprio ambiente universitário sempre permitiu que muitas mulheres ocupassem cargos de gestão", afirma. No entanto, ela ressalta que essa realidade nem sempre é a regra fora das instituições de ensino. Segundo ela, ao migrar para outros setores, a resistência aparece. “Majoritariamente, os espaços de decisão ainda pertencem aos homens. Especialmente na inovação, que envolve políticas públicas, os órgãos decisórios ainda são eminentemente masculinos”, analisa.

Um dos pontos centrais abordados pela consultora é a necessidade constante de validação. Ela explica que, mesmo com competência comprovada, o ingresso em círculos predominantemente masculinos exige um esforço adicional. "Conquistar o lugar de fala é um processo de legitimação. É como se precisássemos provar algo a mais do que os homens para sermos aceitas. Muitas vezes, parece que precisamos nos despir do feminino para habitar esses lugares e ter as mesmas oportunidades", reflete. Apesar dos desafios e do machismo estrutural que ainda persiste fora do campo científico, Juliana observa uma mudança gradual de mentalidade e acredita que a conscientização sobre ações afirmativas tem sido fundamental para equilibrar o debate. "Espero que, no futuro, essas ações não sejam mais necessárias e que a igualdade seja algo comum. Estamos ocupando espaços e criando essa consciência", pontua. A consultora encerra reforçando o otimismo com a abertura de novos canais de negócios mais receptivos à pluralidade, vendo na priorização dessa pauta o caminho para uma igualdade prática no mercado.
Dividindo a sala de aula com o empreendedorismo, a Profa. Dra. Dinaíza Abadia Rocha Reis Fernandes relata que ingressar no ecossistema de startups de saúde tem sido um processo transformador. “Aprendi que empreender não é restrito a um nicho específico. É o caminho natural para quem deseja gerar impacto real na comunidade, unindo conhecimento técnico e a coragem de começar”, destaca. A docente relata que conciliar a vida acadêmica com a construção de um negócio exige resiliência, mas que as parcerias têm sido o alicerce para prosperar. “Essa dualidade me prova que a ciência e a inovação podem e devem caminhar juntas, de forma humana. Na saúde, cada solução bem estruturada tem o potencial de ampliar o cuidado e promover a inclusão. Hoje, entendo que empreender é transmutar experiências em propósito”, pondera.
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Também com uma startup incubada na YpeTec, a médica pediatra Halana Moura afirma que empreender na medicina sendo mulher é um caminho de grandes possibilidades, apesar dos desafios de equilibrar carreira, gestão e vida familiar. Para Halana, o empreendedorismo surge como uma oportunidade de transformar experiências do cotidiano em soluções que melhorem o cuidado. “Estar à frente de iniciativas na área da saúde é a chance de criar soluções que realmente façam diferença na vida das pessoas”, afirma. Na avaliação da pediatra, a presença feminina no setor também fortalece a liderança das mulheres em áreas estratégicas.

O Reitor, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, destaca que a UniRV valoriza a participação feminina em diferentes áreas da Instituição. Segundo ele, a presença das mulheres contribui de forma significativa para o desenvolvimento do ensino, da pesquisa e da inovação. “As mulheres têm uma participação cada vez mais expressiva na UniRV, atuando com competência e dedicação em diferentes frentes. Reconhecemos e valorizamos essa contribuição, que fortalece a nossa Instituição e inspira novas gerações”, conclui.
Fonte:
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). PNAD Contínua - 4º trimestre de 2024.
SEBRAE. Relatório Empreendedorismo Feminino no Brasil (2024).
Global Entrepreneurship Monitor (GEM). Relatório GEM Brasil 2024.
SEBRAE. Startup Report Brasil 2024.
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo - MTE 3194/GO
Arte: Rogério Guimarães
Fotos: Jessica Bazzo, Marcos Santos e Arquivo Pessoal.