Mestrandos e doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal (PPGPV) da Universidade de Rio Verde (UniRV) conduzem projetos de pesquisa aplicada com foco em desafios concretos da produção agrícola no Cerrado goiano. Os temas vão desde o melhor aproveitamento de nutrientes no solo até a redução da dependência de insumos importados. Os trabalhos, desenvolvidos em parceria com empresas e agências de fomento, buscam gerar recomendações técnicas que possam ser adotadas diretamente pelos produtores da região.
Fixação Biológica de Nitrogênio em leguminosas
A doutoranda Nathália de Souza Paulino, orientada pelo Prof. Dr. Givanildo Zildo da Silva, investiga a aplicação combinada de cobalto, molibdênio e níquel com bioinsumos e nanopartículas nas culturas da soja e do feijoeiro. O objetivo é melhorar a fixação biológica de nitrogênio, processo pelo qual bactérias associadas às raízes convertem o nitrogênio do ar em uma forma aproveitável pela planta, reduzindo a necessidade de fertilizantes nitrogenados e o desempenho das plantas ao longo de todo o ciclo produtivo.
A pesquisa avalia conjuntamente a fonte do nutriente, a dose aplicada e o momento da aplicação, uma abordagem mais próxima das condições reais de manejo do que os estudos que analisam cada fator separadamente. Resultados parciais já apontam ganhos em área foliar, altura de plantas e capacidade fotossintética. O projeto tem apoio da Cargill e da UniRV.
Manejo da fertilidade do solo em culturas estratégicas para o Cerrado
Sob orientação da Profa. Dra. Veridiana Cardozo Gonçalves Cantão, estão em andamento quatro pesquisas que abordam o manejo da fertilidade do solo em culturas estratégicas para o Cerrado. Os projetos contam com apoio da CAPES, FAPEG e da iniciativa privada.
Adubação com boro na rotação soja/sorgo
O mestrando Gabriel Elias Soares de Araújo estuda como manejar o boro, um micronutriente essencial mas exigente, nos solos do Cerrado. O desafio é que o boro se perde facilmente com as chuvas, tem baixa mobilidade dentro das plantas e possui uma margem estreita entre a falta e o excesso, o que exige precisão no manejo. O estudo avalia a combinação entre a aplicação no solo e a aplicação foliar ao longo do ciclo das culturas de soja e sorgo, buscando entender como essa estratégia melhora o aproveitamento do nutriente e a produtividade. Os experimentos são conduzidos em campo na UniRV, integrando análises de solo, diagnóstico nutricional e avaliação de produção.
Fontes alternativas para adubação na cana-de-açúcar
O mestrando Matheus Silva Cordeiro avalia o uso combinado de cama aviária e pó de rocha rico em potássio como alternativa aos fertilizantes minerais convencionais no cultivo inicial da cana-de-açúcar. O estudo é conduzido em solos arenosos, que retêm mal os nutrientes, especialmente o potássio. A hipótese é que a matéria orgânica da cama aviária, aliada à atividade dos microrganismos do solo, aumenta a liberação gradual dos nutrientes do pó de rocha, mantendo a fertilidade por mais tempo. A pesquisa é desenvolvida em campo e conta com parceria da CAPES, UNIFIMES e empresas do setor: Edem Agrominerais, Adubasul e Irmãos Negri.
Fósforo e microrganismos solubilizadores
A doutoranda Thays Mendonça Oliveira investiga como aumentar a disponibilidade de fósforo nos solos do Cerrado, onde grande parte desse nutriente fica retida por óxidos de ferro e alumínio e não chega às plantas. O estudo combina fertilizantes minerais, organominerais e bactérias dos gêneros Bacillus e Priestia, que têm a capacidade de liberar o fósforo retido no solo. A hipótese é que a matéria orgânica estimula esses microrganismos, tornando o nutriente mais disponível ao longo do ciclo das culturas. Após três safras de soja e gergelim em campo, os resultados indicam melhora tanto na disponibilidade do fósforo quanto no desempenho das culturas. O projeto integra a Rede AGROBIOTEC, voltada à inovação em biotecnologia agrícola.
Fracionamento de fósforo com método de Hedley
A mestranda Wanessa Thais Ferreira Duarte utiliza o método de Hedley (uma técnica laboratorial que separa o fósforo do solo em frações conforme sua disponibilidade para as plantas), para entender como fertilizantes associados a microrganismos solubilizadores alteram esse equilíbrio ao longo do tempo. O trabalho busca comprovar que o uso de bioinsumos permite manter alta produtividade com menor quantidade de fertilizante mineral. Os dados coletados em campo e laboratório são analisados com ferramentas estatísticas pelo software SISVAR. O projeto é apoiado pela Rede AGROBIOTEC.
Zinco e substâncias húmicas em Latossolos
O estudante Gabriel Gomes Matias, orientado pelos professores Dr. Gilmar Oliveira Santos e Dra. Veridiana Cantão, pesquisa uma combinação de dois insumos agrícolas, o zinco e substâncias húmicas, aplicados em áreas de plantio direto, um sistema em que o solo não é arado entre as safras.
A ideia central é que esses dois componentes se potencializam quando usados juntos. As substâncias húmicas são compostos naturais formados pela decomposição de matéria orgânica, como folhas e restos de plantas. Elas ajudam a melhorar a estrutura do solo, tornando-o mais estável, poroso e rico em nutrientes. Já o zinco é um micronutriente essencial para as plantas e quando associado às substâncias húmicas, ele pode ser absorvido com mais facilidade pelas raízes, funcionando de forma mais eficiente.
Essa combinação pode ainda favorecer o crescimento das raízes em solos compactados, permitindo que as plantas explorem um volume maior de solo e absorvam mais nutrientes. O estudo avalia se o solo fica menos resistente à penetração das raízes e se o desempenho das culturas de soja e gergelim melhora com o uso conjunto desses insumos. Os resultados iniciais são promissores, há sinais de que o solo se torna mais fácil de ser explorado pelas raízes e de que a produtividade das duas culturas aumenta quando cultivadas em sequência. A pesquisa é realizada em parceria com a UniRV e com empresas do setor privado, unindo ciência e prática para gerar soluções aplicáveis no campo.
Segundo o coordenador do PPGPV, o Prof. Dr. Givanildo Zildo da Silva, os projetos em andamento refletem uma característica central do Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal da UniRV, a proximidade entre a pesquisa acadêmica e as demandas reais do campo. “Com experimentos conduzidos em condições próximas às do produtor e parcerias com o setor privado e agências de fomento, os trabalhos têm potencial de se converter em recomendações técnicas de uso imediato, contribuindo para uma agricultura mais eficiente e menos dependente de insumos externos”, destaca.
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Fotos: Arquivo Pessoal