Transtornos mentais, como ansiedade e depressão leve, atingem quase 20% da população adulta brasileira. Em 2024, o Brasil obteve recorde de afastamentos laborais por questões psíquicas em uma década, neste sentido, a Universidade de Rio Verde está à frente de uma pesquisa aplicada que promete revolucionar o atendimento psicossocial no Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto, intitulado "Análise Preditiva de Transtornos Mentais Comuns: Proposta de um Modelo para Apoio em Políticas de Saúde Mental", utiliza Inteligência Artificial (IA) para antecipar diagnósticos e transformar a gestão pública de saúde no estado.
A força tarefa da UniRV une ciência de dados e saúde pública com atuação de professores e acadêmicos. Na manhã desta quarta-feira, 04, a professora e pesquisadora Dra. June Faria Scherrer Menezes, juntamente com os professores Dr. Renato Canevari Dutra da Silva e Dra. Daniela Cabral de Oliveira e o acadêmico de Engenharia de Software, Pedro Bittencourt Costa, se reuniram com o professor e pesquisador, Osvaldo Santos, docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), que apoiará no trabalho.
De acordo com o professor Renato Canevari, hoje, o grande problema relacionado aos transtornos mentais é o subdiagnóstico, porque muitas vezes a condição só é percebida quando o trabalhador já está incapacitado. “Nossa proposta busca inverter essa lógica, agindo antes que o quadro se agrave”, afirma.
Sobre a parte técnica do trabalho, a coordenadora de inovação da UniRV, professora Daniela Cabral explica que a Universidade está desenvolvendo um modelo computacional de Machine Learning que processará dados clínicos e sociodemográficos da rede pública local. “Os diferenciais tecnológicos do projeto incluem Algoritmos Avançados: Uso de Random Forest e Redes Neurais e IA Explicável (SHAP), cuja tecnologia permite que o médico entenda exatamente por que a IA gerou aquele alerta, garantindo ética e segurança clínica”, destaca.
Segundo a Professora June, que também coordena o projeto, a proposta é que depois seja feita a Integração Nacional e futura integração ao Conecte SUS. "Nosso objetivo é fornecer uma ferramenta de alta acurácia que sirva de subsídio para políticas públicas mais humanizadas e eficazes", conclui.
Com cronograma de 18 meses, o projeto prevê coleta de dados em campo via tablets e treinamento de profissionais de saúde na ponta, além do registro do software junto ao INPI. A iniciativa está alinhada a uma chamada pública da FAPEG, posicionando a Universidade de Rio Verde como um hub estratégico de inovação em saúde digital e proteção de dados em Goiás.

O Pró-Reitor de Pós-Graduação da UniRV, professor Dr. Elton Brás Camargo Júnior, que possui experiência em Saúde Mental e Enfermagem Psiquiátrica, com ênfase em pesquisas sobre depressão, uso de álcool e outras drogas e análises de dados aplicadas à saúde salienta a importância do projeto, que integra pesquisadores de diversas áreas das Ciências da Saúde em torno de um objetivo comum: a estruturação de uma nova proposta de curso de pós-graduação na UniRV. “Além de fortalecer nossa produção acadêmica, a iniciativa impacta diretamente a comunidade ao oferecer instrumentos validados de rastreamento em saúde mental, promovendo diagnósticos precisos e otimizando o fluxo de encaminhamento dos pacientes dentro da rede municipal e regional”, afirma.
Para o Reitor, professor Dr. Alberto Barella Netto, a Universidade de Rio Verde cumpre sua missão ao liderar esta pesquisa aplicada, que une ciência de dados e saúde pública para enfrentar o aumento dos transtornos mentais no país. “Este esforço conta com o rigor técnico de nossos pesquisadores e acadêmicos, agora fortalecido pela colaboração internacional com a Universidade de Lisboa. Nosso objetivo é entregar uma ferramenta ética e precisa, integrada ao SUS, que ofereça suporte real à decisão clínica e fundamente políticas públicas de saúde mental mais eficazes no Estado de Goiás”, conclui.
Equipe Ascom UniRV
Jornalista Jessica Bazzo - MTE 3194/GO
Fotos: Brunna Alves e Pedro Bittencourt Costa