Após um início de período chuvoso marcado pela irregularidade e volumes abaixo da média, o cenário climático em Rio Verde mudou no último mês. Janeiro de 2026 entrou para a história climatológica do município ao registrar 475 milímetros de chuva, tornando-se o segundo mês de janeiro mais chuvoso desde 1972, ficando atrás apenas do recorde de 2013, quando foram registrados 539 mm.
De acordo com o professor Dr. Gilmar Oliveira Santos, com base em dados da estação meteorológica mantida pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) na Universidade de Rio Verde, choveu em 28 dos 31 dias do mês. O fenômeno é atribuído à reta final da atuação do La Niña, que agora cede espaço para um período de neutralidade climática.
Um ponto que tem chamado a atenção de moradores e produtores é a desigualdade na distribuição das precipitações. Enquanto o perímetro urbano registra volumes expressivos, algumas áreas rurais apresentam índices consideravelmente menores.
Neste sentido, o professor Gilmar explica que essa variação é um comportamento típico das chuvas de verão. Fatores como o relevo local, o uso do solo e as "ilhas de calor" urbanas influenciam a dinâmica das nuvens, fazendo com que o volume de água varie drasticamente entre localidades próximas.
Para transformar esse volume de dados em inteligência estratégica, a UniRV está desenvolvendo um projeto inovador liderado por pesquisadores e acadêmicos: o ClimaAgro. O objetivo é a análise de séries meteorológicas de longo prazo para identificar padrões, tendências e extremos climáticos.
"Estamos desenvolvendo uma plataforma de suporte à tomada de decisão que vai muito além da simples apresentação de números. A ideia é entregar conhecimento aplicado para auxiliar o planejamento e a redução de riscos na agricultura", destaca Santos. A ferramenta promete integrar informações com linguagem acessível, permitindo que o produtor utilize o clima como estratégia, e não apenas como uma variável incontrolável.
A coordenadora de inovação da UniRV, professora Dra. Daniela Cabral de Oliveira, detalha que o ClimaAgro utiliza registros desde 1972 e aplica métodos estatísticos para calcular a evapotranspiração e a real necessidade hídrica de cada cultura. O foco é substituir o manejo baseado na intuição por decisões técnicas precisas.
“Com visualizações interativas e alertas, a ferramenta busca otimizar o uso de água e energia, reduzindo custos operacionais e aumentando a produtividade. O projeto foca na mitigação de riscos diante de fenômenos como El Niño e La Niña, entregando uma solução de agricultura de precisão que une sustentabilidade e eficiência econômica”, conclui a coordenadora.
Embora a previsão para fevereiro e março indique continuidade das chuvas, com volumes esperados próximos a 500 mm, o setor produtivo deve permanecer em alerta.
Os modelos meteorológicos sinalizam a atuação do fenômeno El Niño a partir do segundo semestre de 2026. Historicamente, este fenômeno está associado à redução e à irregularidade das chuvas na região de Rio Verde, além de temperaturas acima da média. O cenário reforça a importância da nova plataforma, com previsão de estar disponível no segundo semestre, para apoiar o setor agrícola diante dos desafios climáticos.
Equipe Ascom UniRV
Jornalista Jessica Bazzo - MTE 3194/GO
Arte: Vinicius Macedo