Durante décadas, a Contabilidade foi vista como uma área voltada essencialmente ao cumprimento de obrigações fiscais e ao registro de informações financeiras. No entanto, em um ambiente de profundas transformações econômicas, tecnológicas e regulatórias, essa percepção já não se sustenta. A Reforma Tributária, aliada ao avanço exponencial da Inteligência Artificial, impõe um novo desafio, e, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade para os profissionais da área.
Mais do que registrar números, o Contador passa a ocupar uma posição central na orientação dos negócios, atuando como um verdadeiro GPS estratégico para empresas que buscam segurança, eficiência e crescimento sustentável em meio à complexidade do mercado atual. Segundo o Professor da Faculdade de Ciências Contábeis, Me. Ricardo Neves Borges, ao olhar para a história, é possível perceber que a Contabilidade já atravessou transformações profundas, da Revolução Industrial à era digital, onde os computadores, internet e automação não extinguiram a profissão, mas ao contrário, ampliaram a relevância e seu campo de atuação.
“É comum encontrar previsões pessimistas sobre o fim de certas carreiras, como as de contador, professor ou designer. No entanto, a história demonstra que as profissões não desaparecem, elas se transformam. No caso da Contabilidade, a complexidade legislativa brasileira e os avanços tecnológicos não representam um encolhimento da área, mas sim uma janela de oportunidade para crescimento e reposicionamento profissional,” menciona o Professor.
O Docente comenta que nesse contexto, onde o papel do contador, que no Brasil esteve historicamente associado à lógica burocrática e fiscal herdada do período colonial, migra definitivamente para a consultoria estratégica. “Naquela época, os registros serviam prioritariamente ao controle patrimonial e ao recolhimento de tributos pela Coroa Portuguesa. Hoje, para que as empresas se mantenham competitivas, o mercado exige um profissional que vá além dos números, capaz de interpretar cenários, antecipar riscos e apoiar decisões,” explica.
Ricardo pondera que, além do domínio técnico basilar em compliance e tributação, o novo cenário da Contabilidade exige o desenvolvimento de soft skills essenciais, como comunicação eficaz, visão estratégica, análise de dados e adaptabilidade, fundamentais para que o profissional atue de forma estratégica e agregue valor às organizações.
“No contexto atual da Contabilidade, o conhecimento técnico continua sendo indispensável, mas já não é suficiente. O profissional precisa desenvolver uma comunicação clara, capaz de traduzir a complexidade tributária em informações objetivas e úteis para os gestores. Também é fundamental ter visão estratégica, antecipando riscos e identificando oportunidades que impactam diretamente o negócio. Além disso, a análise de dados ganha protagonismo, com a tecnologia atuando como aliada na geração de inteligência e suporte à tomada de decisão, e por fim, a adaptabilidade é essencial para responder com agilidade às constantes mudanças normativas e aos avanços tecnológicos que transformam a profissão,” completa.
O profissional finaliza falando que o futuro é promissor para os contadores atuais e aos futuros profissionais que se mantiverem em constante atualização. “Aqueles que direcionarem sua atuação para a consultoria financeira e estratégica, com foco em agregar valor real ao cliente, encontrarão um mercado repleto de possibilidades. Dominar hard e soft skills não é mais um diferencial, é o novo requisito para quem deseja o protagonismo na profissão.”
Equipe Ascom UniRV
Jornalista Vanderli Silvestre - CRP 4126/GO
Arte: Eduardo Thomaz