Engenheiro civil não é apenas quem fica no escritório fazendo cálculos enquanto os outros colocam a mão na massa. Para avaliar uma obra, ele precisa testar materiais e compreender cada etapa do processo. É com essa visão que a Faculdade de Engenharia Civil da Universidade de Rio Verde (UniRV) integra teoria e prática, tanto em sala de aula quanto na pesquisa.
E é no laboratório que essa integração ganha forma. Lá, o Grupo de Pesquisa em Tecnologia de Materiais de Construção, Mecânicos e Cerâmicos (TECMAT), vinculado à Capes e coordenado pelo Prof. Dr. Bacus de Oliveira Nahime, leva os estudantes a vivenciarem na prática o que aprendem na teoria. Entre as pesquisas desenvolvidas está a do concreto, segundo material mais consumido no planeta, atrás apenas da água.
Uma das linhas de pesquisa é o concreto leve, produzido para reduzir o peso das estruturas. A mistura leva EPS, agregado miúdo - areia, cimento e água, que são colocados na betoneira em uma sequência específica. Depois, é realizado o slump test, que verifica a consistência do concreto fresco, seguido da moldagem dos corpos de prova, que são testados para medir a resistência mecânica à compressão.
A principal diferença em relação ao concreto convencional está justamente na resistência, que no concreto leve é menor. Por isso, ele é indicado para aplicações como vedação (alvenaria), regularização de pisos e contrapisos e enchimento de partes que exigem complemento estrutural, além de oferecer vantagens térmicas e acústicas. Ao reduzir a sobrecarga nas estruturas, diminui também o custo estrutural e melhora o desempenho da edificação. "Cada aplicação tem sua norma, seja alvenaria, contrapiso ou qualquer outra. O desafio é adequar o material ao seu uso e atender às exigências mínimas", explica o professor Bacus.
Outro ponto de destaque é o ganho ambiental. Quando a carga das estruturas diminui, as peças também podem ser menores, o que torna a construção mais eficiente do ponto de vista sustentável. "Por ser o material mais utilizado no planeta, qualquer modificação mínima no concreto representa uma grande mudança. Se pensarmos em uma pavimentação de Rio Verde a Montividiu, é muito material. Quando conseguimos economia e sustentabilidade, e podemos aplicar em grande escala, contribuímos com a construção e com a natureza. Por isso ele precisa ser estudado", afirma.
Entre as curiosidades do concreto leve produzido pelo grupo está o fato de ele flutuar. Enquanto o concreto convencional tem massa em torno de 2.500 kg por metro cúbico, o leve varia de 600 a 2.000 kg/m³. O desenvolvido na UniRV alcança entre 950 e 980 kg/m³, abaixo da densidade da água, que é de 1.000 kg/m³. Por isso, ele flutua.
Concreto permeável e novos desafios
O grupo também pesquisa e desenvolve concretos com a utilização de resíduos e o concreto permeável. Duas pistas de teste já foram executadas com esse material, no teatro de arena e na praça em frente ao Espaço Servidor.
O próximo desafio é criar uma placa translúcida, que permita a passagem de luz.
Para o Reitor da UniRV, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, experiências desenvolvidas em laboratórios de ensino e pesquisa contribuem para tornar a formação acadêmica mais completa. “A vivência em atividades de pesquisa permite que os estudantes ampliem seus conhecimentos, desenvolvam o pensamento científico e tenham contato com processos que fazem parte da produção de novas tecnologias e soluções. Esse ambiente de investigação e aprendizado é fundamental para a formação de profissionais qualificados e para o fortalecimento da Universidade como espaço de geração de conhecimento”, ressalta.
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Imagem: Marcos Santos