Pesquisadores da Universidade de Rio Verde (UniRV) estão testando uma técnica para encurtar o tempo de produção de sementes do algodão. A pesquisa, coordenada pelo Prof. Dr. Márcio Rosa, usa luz de LED em ambiente controlado para fazer a planta florescer mais cedo. A técnica é chamada de Speed Breeding, ou melhoramento acelerado.
Conforme o professor Márcio, o algodão é uma cultura de grande importância econômica para o Brasil, especialmente para a indústria têxtil, nesse sentido, criar uma nova variedade da planta, mais produtiva ou mais resistente, pode levar cerca de dez anos. “Boa parte desse tempo é gasto esperando a planta crescer, florescer e produzir sementes para que o ciclo recomece”, explica.
No experimento, as plantas crescem em vasos, sem luz solar, sob lâmpadas de LED que permitem controlar a intensidade e as cores da luz, como azul, vermelho e vermelho-distante. Além de fornecer energia para a planta crescer, a luz funciona como um sinal que influencia o florescimento. A equipe busca a combinação ideal para que a planta floresça mais rápido, sem perder a saúde nem a qualidade das sementes.
Após cerca de 35 dias de cultivo, as plantas se adaptaram bem ao ambiente com iluminação totalmente artificial, e já aparecem diferenças de crescimento entre as condições de luz testadas. Ainda é preciso acompanhar o florescimento e a formação das sementes para saber se a técnica realmente acelera o ciclo.
As variedades estudadas, de fibra branca e colorida, levam de 140 a 165 dias para completar o ciclo no campo. Uma redução de 20% nesse período já seria um avanço importante. A equipe também monitora o gasto de energia para avaliar se a técnica é economicamente viável, e a confirmação dos resultados dependerá de novos ciclos de cultivo. “Se der certo, novas variedades de algodão poderão chegar mais rápido aos produtores, o que fortalece a cotonicultura brasileira. A técnica também poderá servir de base para outras culturas agrícolas”, destaca o professor e coordenador do estudo.
Participam do projeto dois estudantes de PIBIC, um de mestrado e um de doutorado, que atuam desde a montagem dos experimentos até a análise dos dados e a escrita de artigos científicos. Para o professor Márcio, a formação de novos pesquisadores é um dos resultados mais importantes do trabalho.
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Fotos: Professor Márcio Rosa