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Segundo dia do Fórum da ANIMES discute o papel da universidade e do professor

Publicado em: 30-09-2026
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O segundo dia do IX Fórum Educacional da Associação Nacional das Instituições Municipais de Ensino Superior (ANIMES), realizado na Universidade de Rio Verde (UniRV), foi dedicado a discutir como a inteligência artificial (IA) impacta a gestão universitária, o mercado de trabalho e o papel de professores e estudantes. A programação contou com duas palestras, apresentações de empresas parceiras e relatos de experiências das instituições associadas, que incluíram a da Uni-FACEF, além de uma visita ao Hospital Municipal Universitário (HMU), que apresentou a experiência da UniRV na integração entre ensino e serviço.

A manhã foi marcada pela palestra "Inteligência Artificial, Gestão Universitária e Essência Humana", ministrada por Carlos Costa, facilitador de programas de MBA e palestrante nas áreas de Tecnologia, Marketing e Vendas. Segundo o palestrante, a IA já faz parte da realidade e pode contribuir com a gestão na automação de tarefas, na organização e análise de dados e no apoio à tomada de decisões, mas a proposta é ir além do ensino de uma ferramenta. "À medida que a tecnologia passa a fazer cada vez mais por nós, precisamos entender também o que ganha ainda mais valor no ser humano", afirma.

Para ele, pensamento crítico, criatividade, capacidade de fazer boas perguntas, julgamento, empatia e liderança são competências cada vez mais importantes. "A inteligência artificial pode ser um grande copiloto, mas a essência das perguntas continua sendo nossa. As decisões mais difíceis continuam sendo humanas", destaca Carlos Costa. Ainda conforme o palestrante, mais do que aprender a usar a tecnologia, é preciso entender como utilizá-la como aliada, sem perder aquilo que é essencialmente humano.
 

O Reitor do Unifunec, Prof. Dr. Guilherme Hiroshi Yamanari, parabenizou a ANIMES e a UniRV pela realização do evento e destacou a relevância da discussão proposta na palestra de abertura. Segundo ele, a apresentação trouxe uma reflexão necessária sobre a inserção da Inteligência Artificial nas instituições de ensino superior.
Para o professor Guilherme, embora a tecnologia já faça parte da realidade das universidades, sua implementação exige planejamento e alinhamento estratégico. “A palestra foi uma provocação em um tom desafiador, porque sabemos da necessidade de utilizar a Inteligência Artificial nas instituições de ensino superior. No entanto, essa aplicação deve ser feita com responsabilidade e, principalmente, com um planejamento estratégico bem definido. O desafio foi lançado de forma muito clara e objetiva”, avaliou.

Já o Reitor da Uni-FACEF, Prof. Dr. José Alfredo de Pádua Guerra, ao apresentar as experiências desenvolvidas pela Instituição, destacou a importância da troca de experiências promovida pelo Fórum e ressaltou que, embora a Inteligência Artificial tenha sido um dos temas centrais do evento, o relacionamento interpessoal continua sendo um elemento essencial na formação dos estudantes. Segundo ele, o diferencial da instituição está na proximidade com os alunos e na valorização da dimensão humana da profissão, aliando conhecimento teórico, desenvolvimento de habilidades técnicas e contato com situações reais. A apresentação compartilhou práticas que vêm sendo vivenciadas pela universidade, com foco na qualidade da formação e na humanização do ensino.
 
 
Trabalho, propósito e o futuro da universidade

À tarde, a Profa. Juliana Ballin Suzin ministrou a palestra "Trabalho, Propósito e o Fim do ‘Emprego’ como Identidade: O papel da Universidade e do Professor na Era da IA". Doutora em Administração, professora universitária e CEO da Startup Academy, ela é especialista em inovação, captação de recursos e estruturação de ecossistemas, com experiência em expansão de mercados e implantação de projetos em universidades.

A palestrante explica que a IA se tornou um "coagente cognitivo", que executa tarefas, coordena processos e reorganiza profissões. Segundo ela, o impacto vai além da eliminação de postos de trabalho. "Há algum tempo, quando perguntavam 'quem você é?', as pessoas respondiam pelo que faziam profissionalmente. Hoje, o trabalho deixou de ser necessariamente uma identidade", observa. Entre os jovens, afirma, a resposta a essa pergunta já não é necessariamente econômica, mas ligada à forma como enxergam a própria existência.

Juliana destaca que, pela primeira vez nas revoluções industriais e tecnológicas, a transformação atinge diretamente o intelecto, e não apenas o chão de fábrica. Para ela, esse cenário abre um debate importante para as universidades e traz uma pergunta central: "Estamos formando para quê?".

Na avaliação da palestrante, a universidade tem a oportunidade de ocupar um lugar de protagonismo nesse momento, refletindo sobre o sentido da formação e liderando o diálogo entre tecnologia, trabalho e o próprio ser humano.
 

Nesse contexto, o papel do docente também ganha novos contornos. "Ele passa a ser um mediador dessa humanidade, um curador e mediador de sentido", diz. O objetivo é que o estudante saia da universidade preparado não apenas para novas profissões, mas também como protagonista do próprio destino e da própria carreira.
Ao final, a palestrante apresentou um caso aplicado, a partir de sua experiência na implantação da Startup Academy, para mostrar como a tecnologia pode apoiar o novo papel de professores e acadêmicos.

A Reitora da UnirG, Profa. Dra. Jaqueline de Kassia Ribeiro de Paiva, ressaltou que o evento representa uma importante oportunidade de integração entre as instituições de ensino superior, favorecendo a troca de experiências, o compartilhamento de boas práticas e o conhecimento de casos de sucesso desenvolvidos em diferentes universidades.
 
Segundo ela, esse intercâmbio contribui para a inovação na gestão universitária e para o fortalecimento das instituições. “A gente se conecta com outras universidades, troca experiências exitosas e aprende muito com as iniciativas desenvolvidas por outras instituições. Com certeza, esse aprendizado inova a nossa gestão e contribui para o crescimento da universidade. Compartilhar conhecimento é sempre muito enriquecedor”, afirmou.

Na visita ao Hospital Municipal Universitário (HMU), a comitiva foi recepcionada pelo secretário municipal de Saúde, Thiago dos Santos Souza, que destacou a parceria entre a UniRV e o poder público na oferta de serviços à população. Segundo ele, a atuação conjunta foi fundamental tanto para a implantação quanto para a manutenção do hospital, por meio de repasses de recursos e do desenvolvimento de ações voltadas ao fortalecimento da saúde pública no município. “A UniRV é uma grande parceira da Secretaria Municipal de Saúde. Essa parceria esteve presente desde a construção do HMU e continua na sua manutenção, contribuindo para ampliar e qualificar os atendimentos oferecidos à população de Rio Verde”, afirmou.
 

Para o Reitor da UniRV, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, discutir os impactos das novas tecnologias é também refletir sobre os caminhos que as instituições de ensino devem construir diante das transformações da sociedade. Ele destacou ainda que os participantes do Fórum tiveram a oportunidade de conhecer, durante visita ao Hospital Municipal Universitário (HMU), uma das experiências desenvolvidas pela UniRV na integração entre ensino, serviço e atendimento à comunidade. “A universidade precisa acompanhar as mudanças do seu tempo, sem perder de vista sua responsabilidade na formação de pessoas. As transformações provocadas pela inteligência artificial trazem novos desafios para o ensino, para a gestão e para o mundo do trabalho, mas também ampliam as possibilidades de inovação e de construção do conhecimento. Ao mesmo tempo, experiências como a que desenvolvemos no HMU mostram que a tecnologia precisa caminhar junto com a prática, a formação humanizada e o compromisso social. É fundamental que esse debate aconteça de forma ampla, envolvendo gestores, professores, estudantes e diferentes setores da sociedade”, afirmou.
 

Último dia de programação

Na quinta-feira, 1º, o Dr. Danilo Fabiano Carvalho e Oliveira, delegado de Polícia do Estado de Goiás, mestre em Direito Ambiental e doutor em Direitos Humanos, fala sobre "A Mente que a Máquina Não Decifra e os Limites da Inteligência Artificial". À tarde, o Dr. Vinicius Alexandre de Castro, professor universitário, analista de dados e especialista na aplicação da IA à educação, com experiência em automação de pesquisas, gestão estratégica de dados e inovação no ensino, apresenta "IA na Prática para Gestores Universitários".
 
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Fotos: Marcos Santos 

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