No final do inverno, período mais seco do ano, os ipês desabrocham em várias regiões do Brasil, especialmente no centro-oeste, deixando o cerrado mais colorido. No Brasil, geralmente a época de florada dos ipês começa em abril e vai até outubro.
Aqui no campus Rio Verde da Universidade de Rio Verde, os ipês amarelos já se tornaram marca registrada. Anualmente nossos ipês perdem as folhas e exibem somente suas flores em cachos durante o final do mês de agosto e setembro, até que estas caiam completamente, cobrindo o chão. É neste momento que as sementes da planta são dispersadas.
Os ipês são plantas que gostam de sol pleno e temperaturas altas. O que desencadeia a sua florada são os fotoperíodos, ou seja, o comprimento dos dias e o tempo que estas plantas ficam expostas ao sol. Durante o inverno os dias são mais curtos que as noites, e por isso o ipê é conhecido como uma planta de dias curtos.
A Professora Mariana Siqueira, Doutora em Ciências Ambientais, explica outros fatores importantes relacionados à floração dos ipês. "Diversos fatores climáticos podem interferir nesse processo, como a ocorrência de chuvas ou períodos de frio fora de época. Tais condições impactam diretamente um mecanismo fundamental para a floração: a abscisão foliar. É necessário que o ipê perca todas as suas folhas para otimizar sua economia de energia e reduzir a transpiração, evitando o gasto metabólico com a fotossíntese antes da emissão das flores", explica. Quando a árvore não perde toda a folhagem antes do início desse ciclo, a floração perde a intensidade habitual.

A Professora Mariana reforça que o florescimento do ipê depende de um equilíbrio delicado entre três fatores ambientais. "O sucesso da floração depende diretamente de variáveis como o fotoperíodo, a relação entre a duração do dia e da noite, a umidade, visto que a espécie floresce sob estresse hídrico, durante o auge da seca, e a amplitude térmica, caracterizada por noites amenas e dias de temperaturas elevadas. A alteração de qualquer um desses fatores impacta significativamente o processo", detalha. Ou seja: basta uma chuva fora de época, ou uma queda de temperatura inesperada, para que o espetáculo das flores amarelas perca força.
Quem caminha pelo campus da UniRV pode observar três espécies distintas de ipês de flores amarelas, cada uma com características próprias de porte e crescimento. O ipê-amarelo-da-mata é o mais frondoso do grupo, com caule robusto e crescimento ereto e acelerado. Já o ipê-amarelo-do-cerrado tem estatura intermediária, tronco levemente tortuoso e características de um crescimento mais lento pela adaptação natural ao ambiente do cerrado aberto, seu ecossistema de origem. Por fim, o ipê-tabaco é a espécie de menor porte entre as três, mas não deixa por menos quando o assunto é a característica floração amarela.

Para o Reitor, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, os ipês são parte da identidade do campus. "Os ipês fazem parte da história da nossa universidade. Cada floração nos lembra do legado deixado por cada um que fez e que faz parte da nossa comunidade acadêmica, que plantaram não só árvores, mas um pouco do cuidado e do conhecimento que carregamos até hoje. É um orgulho ver nosso campus florido e, ao mesmo tempo, saber que essa beleza também é fruto de décadas de estudo e dedicação", destacou.
Equipe ASCOM
Jornalista Ana Júlia Sales
Fotos: Marcos Santos