A Universidade de Rio Verde celebrou, no último sábado, importantes conquistas que reforçam a força do empreendedorismo e da inovação desenvolvidos no ambiente universitário. Entre os destaques esteve a participação da ZCore Biotech no DemoDay do programa NIIS – Negócios Inovadores de Impacto Socioambiental, iniciativa promovida pelo Hub Goiás, com apoio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Goiás (Secti-GO). Vinculada à YpeTec, a startup conquistou o segundo lugar no evento e recebeu R$ 40 mil em premiação.
A ZCore Biotech é integrada pelo acadêmico de Medicina da UniRV, Lucas Ribeiro Maia Santos, e nasceu a partir de uma proposta que une ciência, biodiversidade do Cerrado e nanotecnologia. Durante o processo de desenvolvimento do programa, a startup passou por diferentes etapas de mentorias, ajustes e aprimoramento até chegar à apresentação final.
Para Lucas, participar da terceira edição do NIIS representou uma experiência que ultrapassou os poucos minutos de apresentação do pitch. “Participar do 3º NIIS foi muito mais do que subir em um palco para apresentar uma ideia. Foi viver um verdadeiro processo de construção. Foram diferentes etapas de mentorias, ajustes, erros, mudanças de rota, conversas e muito aprendizado até chegarmos à apresentação final”, relata.
Entre as cinco premiações realizadas no DemoDay, três startups chegaram à final: Hamobaby, ZCore Biotech e BIOÓculos. Para o acadêmico, a conquista do segundo lugar foi marcada pela responsabilidade de representar uma iniciativa construída dentro do ambiente universitário.
“Confesso que a ansiedade antes da apresentação foi enorme. Não era apenas a vontade de conquistar uma premiação. Era a responsabilidade de representar uma ideia que nasceu dentro da universidade, as pessoas que acreditaram nela e, principalmente, um laboratório que queremos ver crescer. Quando veio o resultado e a ZCore Biotech conquistou R$ 40 mil, o sentimento foi de que todo aquele caminho havia valido a pena”, afirma.
A proposta da ZCore Biotech surgiu a partir das atividades desenvolvidas no AquaGen Lab, laboratório da UniRV que deverá ser beneficiado diretamente pelos recursos conquistados no programa. A ideia é que a premiação seja reinvestida no fortalecimento da estrutura de pesquisa e na ampliação das oportunidades para estudantes interessados no desenvolvimento científico.
“Esse recurso terá um significado ainda maior para nós porque será reinvestido no AquaGen Lab. A ZCore nasceu justamente com esse ideal: contribuir para tornar o laboratório cada vez mais autossustentável, permitindo que os recursos gerados pela inovação retornem para a própria ciência”, explica Lucas.
Segundo o acadêmico, o objetivo é ampliar as condições para que estudantes da Faculdade de Medicina tenham contato com a pesquisa, desenvolvam projetos e vivenciem a ciência de forma prática. “Mais estrutura para o AquaGen Lab significa mais pesquisa. Mais pesquisa significa mais oportunidades para os nossos alunos. E mais oportunidades significam a possibilidade de que novas ideias surjam, cresçam e também retornem para a universidade e para a sociedade”, destaca.
A solução desenvolvida pela startup propõe a utilização de nanovesículas vegetais extraídas de folhas de espécies do Cerrado goiano como nanocarreadores de medicamentos. Entre as possibilidades estudadas está o encapsulamento de fármacos, como quimioterápicos, buscando aprimorar o direcionamento de sua entrega ao tecido tumoral. “É transformar um resíduo do Cerrado em nanotecnologia com potencial aplicação oncológica”, resume o acadêmico.
O desenvolvimento científico da proposta também conta com uma colaboração entre a Universidade de Rio Verde e a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), por meio do Laboratório de Investigações Translacionais (LIT), coordenado pela Profa. Dra. Juliana Ferreira Floriano, em parceria com o AquaGen Lab da UniRV.
Para Lucas, a trajetória da ZCore Biotech é resultado da construção coletiva entre pesquisadores, professores, gestores e os ambientes de inovação. O acadêmico destacou o apoio recebido das professoras Dra. Lara Cândida de Sousa Machado, Dra. Ana Paula Fontana, Dra. Dinaíza Abadia Rocha Reis Fernandes e Dra. Juliana Balin Suzin, além do professor Dr. Fábio Vieira de Andrade Borges e da professora Dra. Juliana Ferreira Floriano. “Cada um, dentro de sua área, contribuiu para que uma ideia científica pudesse ser amadurecida também como inovação e como negócio”, ressalta.
O acadêmico também reconheceu o apoio institucional do Reitor da Universidade, Prof. Dr. Alberto Barella Netto; o incentivo da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação, representada pelo Prof. Dr. Carlos César Evangelista de Menezes; e o suporte do coordenador dos Laboratórios da UniRV, Prof. Me. Alex Anderson de Oliveira Moura.
Outro ponto destacado foi a atuação do AgroHub - Centro de Inovação e Tecnologia da UniRV, que contribui para aproximar pesquisadores, empreendedores, mercado e universidade, auxiliando na transformação do conhecimento científico em soluções com potencial de impacto social e econômico.
“O NIIS nos mostrou justamente isso: uma ideia não nasce pronta. Ela é lapidada por mentorias, críticas, professores, parceiros, experimentos e muitas horas de trabalho. O prêmio é uma conquista importante, mas o que mais nos orgulha é o que pretendemos fazer com essa conquista: devolver para a ciência parte daquilo que a ciência nos permitiu construir”, pontua Lucas.
No mesmo sábado, a equipe da SiloBot, startup incubada na YpeTec e integrada por acadêmicos do curso de Engenharia Mecânica, participou do Hackathon Desafio INDTechs, realizado no Senai Hub, em Goiânia.
A primeira edição do Hackathon INDTechs reuniu equipes em uma maratona de inovação voltada ao desenvolvimento de soluções para desafios dos segmentos de inclusão, digitalização e resíduos moveleiros.
A SiloBot conquistou o primeiro lugar na categoria relacionada ao desafio proposto pelo Sindicato das Indústrias de Móveis e Artefatos de Madeira no Estado de Goiás (Sindmóveis). A equipe desenvolveu uma solução voltada à transformação de resíduos de MDF gerados pelas indústrias moveleiras.
Segundo Giancarllo Ribeiro Vasconcelos, integrante da startup, o resultado representa mais uma oportunidade de demonstrar a capacidade dos acadêmicos de transformar conhecimento técnico em soluções para demandas reais do setor produtivo. A proposta desenvolvida pela equipe consiste em um processo produtivo para a criação de painéis reciclados a partir do reaproveitamento do resíduo de MDF.
Para o Reitor, Professor Dr. Alberto Barella Netto, o desempenho das startups no DemoDay evidencia a consolidação de um ecossistema de inovação cada vez mais conectado. “As conquistas alcançadas no DemoDay mostram a força do ecossistema de inovação que estamos construindo na UniRV e em Rio Verde. Quando Universidade, startups e mercado caminham juntos, transformamos conhecimento em soluções e oportunidades. Temos orgulho de contribuir para a formação de talentos e para o desenvolvimento de ideias com potencial de gerar impacto real na sociedade”, afirma.
Equipe ASCOM
Jornalista Ana Júlia Sales
Arte: Eduardo Thomaz