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Fisioterapia em Terapia Intensiva: legado da pandemia, desafios e inovação

Publicado em: 18-08-2026
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A pandemia de Covid-19 mudou o papel da fisioterapia dentro das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). A avaliação é do Prof. Dr. Renato Canevari Dutra da Silva, que também é fisioterapeuta do Hospital Municipal Universitário de Rio Verde (HMU), onde atua como Responsável Técnico e Coordenador do Serviço de Fisioterapia da UTI.
Segundo Renato Canevari, o enfrentamento da Covid-19 ampliou significativamente a visibilidade e o reconhecimento do fisioterapeuta dentro das equipes multiprofissionais, sobretudo pela expertise da categoria em ventilação mecânica.
 
Embora essa já fosse uma área consolidada da profissão, a pandemia exigiu adaptação e o desenvolvimento de novos conhecimentos. Como resultado, consolidaram-se práticas mais humanizadas e individualizadas de assistência ventilatória, além de uma atenção maior à recuperação do paciente após a alta da UTI.
Outro avanço destacado pelo professor foi a valorização da mobilização precoce, estratégia fundamental para reduzir sequelas decorrentes de longos períodos de internação e acelerar o retorno do paciente às suas atividades.
 
Desafios da fisioterapia em terapia intensiva
 
Na visão do docente e gestor, um dos principais desafios atuais da área é a escassez de profissionais altamente qualificados. Apesar dos avanços científicos e tecnológicos, muitos profissionais, especialmente em cidades do interior, têm acesso limitado à atualização constante por meio de cursos, congressos e produção científica, o que dificulta a implementação de práticas inovadoras já consolidadas em centros de referência.
 
Outro desafio está relacionado ao perfil dos pacientes atendidos nas UTIs. O aumento de casos com múltiplas comorbidades e quadros clínicos mais complexos exige maior preparo e capacidade de adaptação dos profissionais. “A terapia intensiva vive um momento de grande avanço tecnológico. Entre os recursos já disponíveis em algumas unidades estão ventiladores mecânicos de última geração e equipamentos de ultrassonografia à beira-leito, que permitem acompanhar em tempo real as respostas do paciente ao tratamento”, destaca.
 
O professor ressalta, no entanto, que ainda existem tecnologias importantes pouco incorporadas à rotina hospitalar, como sistemas avançados de eletromiografia para avaliação muscular respiratória e diafragmática, e que a participação em congressos e simpósios tem papel importante para despertar o interesse dos profissionais por essas inovações.
 
Um dos pontos mais destacados pelo docente é a aproximação entre ciência e prática clínica. Segundo ele, embora exista vasta produção científica na área da fisioterapia, ainda há uma distância significativa entre o conhecimento gerado nas pesquisas e sua aplicação cotidiana nos serviços de saúde. Em Rio Verde, essa integração ocorre de forma gradual.
 
Mercado de trabalho e oportunidades para os estudantes
 
Ao falar sobre a formação profissional, o professor enfatiza que a fisioterapia deixou de ser uma área predominantemente generalista e passou a exigir cada vez mais especialização. Para quem deseja atuar na fisioterapia respiratória e em terapia intensiva, a recomendação é buscar constantemente cursos de aperfeiçoamento, serviços de referência e atualização científica.
 
Segundo ele, a área respiratória está entre as que mais geram oportunidades de trabalho atualmente, impulsionada pela expansão da rede hospitalar e pelo aumento da demanda por profissionais especializados. É o que mostra a própria realidade do Hospital Municipal Universitário, onde a equipe atual já conta com dezenas de fisioterapeutas e poderá crescer significativamente com a abertura de novas unidades e a ampliação da capacidade de atendimento, movimento que deve exigir a contratação de dezenas de novos profissionais, ainda que a oferta de mão de obra qualificada seja insuficiente para atender essa demanda. “O estudante precisa ter foco. Conhecer todas as áreas da fisioterapia é importante, mas o diferencial está em buscar aprofundamento na área em que deseja atuar. Na fisioterapia respiratória e terapia intensiva, a qualificação contínua é fundamental e as oportunidades de trabalho são cada vez maiores”, analisa.
 
Participação no XXII Simpósio de Fisioterapia Respiratória, Cardiovascular e em Terapia Intensiva
 
As reflexões apresentadas neste texto foram compartilhadas após participação do Prof. Dr. Renato Canevari durante o XXII Simpósio de Fisioterapia Respiratória, Cardiovascular e em Terapia Intensiva, realizado de 12 a 15 de agosto de 2026, em Natal (RN). No evento, ele relatou sua experiência e apresentou trabalhos, no total foram cinco, quatro em pôster e uma apresentação oral de melhores resumos, reforçando o protagonismo da UniRV na discussão de temas atuais da fisioterapia intensiva em nível nacional.
 
Para o Reitor da UniRV, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, um dos pilares da Instituição está no fortalecimento da pesquisa como eixo estruturante da formação acadêmica e da atuação profissional. "A UniRV tem ampliado seu investimento em pesquisa e incentivando docentes e estudantes a produzirem conhecimento com aplicação direta na prática clínica. Essa é uma escolha estratégica da Instituição, entendemos que uma universidade só cumpre plenamente seu papel quando aproxima ciência e serviço, formando profissionais capazes de transformar evidência em cuidado. Seguiremos investindo para que a UniRV consolide ainda mais sua posição como referência em pesquisa aplicada à saúde", conclui.
 
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Fotos: Arquivo Pessoal
Arte: Vinicius Macedo 

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