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Manejo de plantas daninhas: conhecimento técnico garante controle e produtividade

Publicado em: 11-08-2026
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As plantas daninhas continuam entre os principais fatores de perda de produtividade na agricultura brasileira. Além da competição direta por água, luz e nutrientes, o manejo inadequado dessas espécies tem um efeito que se acumula ao longo dos anos: a seleção de populações resistentes aos herbicidas, um problema que já atinge lavouras em diferentes regiões do país e que exige mudança na forma como o controle é planejado.
 
Para especialistas da área, entender as causas da baixa eficiência no controle é o primeiro passo para reverter esse cenário, e a resposta raramente está em um único fator isolado.
 
Identificação correta orienta toda a estratégia
 
O manejo de plantas daninhas começa antes da aplicação do herbicida: começa na identificação da espécie. Plantas daninhas diferentes respondem de formas distintas aos princípios ativos disponíveis no mercado, e um diagnóstico impreciso compromete as decisões seguintes, independentemente da qualidade do produto escolhido. A identificação correta define não só qual herbicida utilizar, mas também dose, momento de aplicação e necessidade de associação com outras práticas de controle.
 
Mesmo quando o produto e a dose estão corretos, a eficácia do controle pode ser comprometida na etapa de aplicação. Volume de calda, tipo de bico, pressão de trabalho, tamanho de gotas e condições climáticas no momento da pulverização influenciam diretamente a cobertura foliar e a absorção do herbicida pela planta. Na prática, boa parte das falhas de controle relatadas em campo está associada não ao produto em si, mas às condições em que ele foi aplicado.
 
Misturas de herbicidas exigem embasamento técnico
 
A combinação de diferentes herbicidas é uma ferramenta importante no manejo, especialmente como estratégia para reduzir a pressão de seleção sobre uma única molécula. No entanto, associações feitas sem critério técnico podem ter efeito oposto ao esperado: reduzir a eficácia de controle ou comprometer a compatibilidade entre os produtos. A definição de misturas deve considerar espectro de ação, modo de aplicação, momento de uso e, principalmente, o histórico de resistência da área.
 
A resistência não surge de uma única aplicação mal sucedida, ela é resultado de práticas repetidas ao longo de safras, como o uso contínuo do mesmo mecanismo de ação, a ausência de rotação de princípios ativos e a falta de integração com outras formas de controle. Uma vez estabelecida em uma área, a resistência reduz as opções de manejo disponíveis e eleva os custos de produção, tornando o controle progressivamente mais difícil.
 
Por isso, o manejo preventivo é apontado como a estratégia mais eficaz: rotação de mecanismos de ação, uso de herbicidas em pré e pós-emergência de forma combinada, adoção de práticas culturais, como rotação de culturas e cobertura do solo, e o monitoramento constante da área para identificar precocemente indivíduos sobreviventes. O manejo integrado, que combina métodos químicos, culturais e mecânicos, é hoje considerado o caminho mais consistente para conter o avanço da resistência.
 
Além da escolha do princípio ativo, a qualidade da formulação influencia a estabilidade e o desempenho do produto em campo. Da mesma forma, o posicionamento do herbicida, ou seja, o momento da aplicação em relação ao estádio da cultura e ao período crítico de competição com as plantas daninhas, varia conforme a cultura implantada e precisa ser ajustado a cada situação, e não replicado de forma padronizada entre lavouras.
 
Discussão técnica em evento nacional
 
Esses temas estiveram em pauta no XXXIV Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas, realizado em Foz do Iguaçu, um dos principais encontros científicos do setor no Brasil. O professor da UniRV, Dr. Guilherme Braga Pereira Braz atuou como moderador do painel “Principais Problemas em Plantas Daninhas no Brasil: Capim-pé-de-galinha”, apresentando o histórico de infestação e o panorama atual da espécie no país, um exemplo prático de como a ausência de rotação de manejo pode favorecer o avanço de populações resistentes em determinadas regiões.
 
O docente tem atuação consolidada em ensino, pesquisa e orientação de trabalhos acadêmicos na área, sendo autor e organizador de livros que abordam desde identificação e controle de plantas daninhas até resistência a herbicidas. Durante o congresso, também recebeu reconhecimento da Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas (SBCPD) pelo trabalho destaque publicado no periódico Weed Control Journal, intitulado “Associações herbicidas aplicadas em pós-emergência no controle de capim-capeta (Sporobolus indicus) em pastagem cultivada”.
 
Especialização na UniRV
 
É nesse cenário de complexidade crescente no manejo de plantas daninhas, marcado pelo avanço da resistência e pela necessidade de decisões técnicas cada vez mais precisas, que a UniRV está com inscrições abertas para a Especialização em Biologia e Manejo de Plantas Daninhas. Coordenado pelo Prof. Dr. Augusto Matias de Oliveira, o curso tem duração de 12 meses, modalidade on-line, com aulas quinzenais às sextas-feiras, à noite, e aos sábados, em período integral.
 
Com carga horária de 360h, a especialização aborda desde os fundamentos de biologia e ecologia das plantas daninhas até o Manejo Integrado de Plantas Daninhas, uso racional de herbicidas, mecanismos de ação, tecnologia de aplicação, resistência e sustentabilidade, aplicados a culturas anuais, perenes, pastagens, frutíferas, hortaliças e sistemas com plantas de cobertura. O curso é voltado a profissionais formados em Agronomia, Zootecnia, Engenharia Florestal e Engenharia Ambiental que buscam aprofundar conhecimentos técnicos e qualificação para a tomada de decisão no manejo integrado.
 
Para o Reitor, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, a produção agrícola exige cada vez mais conhecimento, tecnologia e decisões técnicas precisas. "Na UniRV, temos o compromisso de transformar a pesquisa e o conhecimento produzido na Universidade em soluções que contribuam para uma agricultura mais eficiente e sustentável. O manejo de plantas daninhas é um desafio que impacta diretamente a produtividade e a sustentabilidade do campo. A Universidade tem papel fundamental na produção de conhecimento e na formação de profissionais preparados para enfrentar esses desafios, aproximando a pesquisa das necessidades reais do setor produtivo", conclui.
 
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Fotos: Marcos Santos e Arquivo Pessoal 

 

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