Agosto é o mês dedicado à valorização do aleitamento materno em todo o país. Conhecida como Agosto Dourado, a campanha reúne instituições de saúde, universidades e órgãos públicos em ações de conscientização sobre os benefícios da amamentação para a saúde da criança, da mulher e da sociedade como um todo. A cor dourada simboliza o valor do leite materno, considerado o alimento mais completo para o recém-nascido.
De acordo com o Ministério da Saúde, a amamentação deve ser exclusiva até os seis meses de vida do bebê, sem necessidade de água, chás ou outros alimentos, e pode se estender, de forma complementar, até os dois anos ou mais. O leite materno oferece proteção contra infecções e alergias, contribui para o desenvolvimento cognitivo da criança e reduz riscos futuros de doenças como hipertensão e obesidade. Para a mulher, amamentar também traz benefícios importantes, como a diminuição do risco de hemorragia pós-parto e de cânceres de mama, ovário e colo do útero, além de fortalecer o vínculo entre mãe e filho.
O olhar de quem acompanha de perto
A Profa. Ma. Paula Cristina de Oliveira Pimenta orienta estágio no Hospital Materno Infantil e acompanha de perto as dificuldades enfrentadas por mães e famílias no início da amamentação. Segundo ela, uma das dúvidas mais recorrentes entre as mães de primeira viagem diz respeito à saciedade do bebê.
"Isso varia bastante, mas as mães de primeira viagem costumam ter muitas dúvidas sobre a saciedade do bebê: 'Como saber se ele está satisfeito?', 'será que mamou o suficiente?'. Essas incertezas geram ansiedade, tanto na mãe quanto em quem está ao seu redor", explica a professora. Outro desafio comum, segundo ela, é a falta de rede de apoio, já que muitas mulheres não contam com um parceiro ou familiares por perto. Há ainda a questão da pega correta: quando a técnica não é bem orientada, é comum machucar o bico do peito, o que causa dor e, em muitos casos, leva a mãe a desistir de amamentar.
Sobre o papel da enfermagem diante desses desafios, Paula Cristina destaca que a atuação profissional é essencial em todas as etapas, da atenção primária à maternidade. "Cabe a nós levar informação, capacitação e espaços de conversa para gestantes, puérperas e suas redes de apoio, mostrando os benefícios da amamentação tanto para a mãe quanto para o recém-nascido: prevenção de hemorragia materna, fortalecimento da imunidade do bebê, criação de vínculo entre mãe e filho e redução de doenças respiratórias na infância, entre outros ganhos", afirma.
A professora ressalta ainda a importância da orientação já no pré-natal para o sucesso da amamentação. Segundo ela, antes de tudo o enfermeiro precisa criar vínculo com a gestante, mostrando interesse real em ajudá-la durante a consulta, com uma comunicação clara, objetiva e acolhedora. "É importante conversar sobre expectativas e realidade: amamentar não é fácil, e muitas mulheres sentem a cobrança de 'dar conta de tudo', tanto por parte delas mesmas quanto da família. Por isso, é fundamental deixar claro, ainda no pré-natal, que as dúvidas e dificuldades vão surgir, e que isso é normal", explica. As unidades de saúde da família, segundo ela, estão preparadas para acolher essas mulheres e ajudar a resolver essas questões.
Mesmo diante de tanta informação disponível, a professora afirma que alguns mitos continuam presentes entre as famílias, como a dúvida se o leite realmente sustenta o bebê ou se "o leite é fraco". Também é comum a pergunta sobre continuar amamentando caso a mãe engravide novamente (amamentar durante a gravidez é permitido e seguro na grande maioria dos casos de gestações normais), e se alimentos como canjica, galinhada ou goiabada aumentam a produção de leite. Outro mito recorrente, segundo ela, é o da amamentação cruzada, a ideia de que, na falta de leite, outra pessoa próxima poderia amamentar o bebê, prática que é formalmente contraindicada pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), devido ao grave risco de transmissão de doenças.
A rede de apoio, na avaliação da professora, tem papel decisivo na continuidade do aleitamento. "No alojamento conjunto, percebo que boa parte das famílias já entende a importância de apoiar a mulher nesse momento. Muitos ajudam deixando a mãe mais tranquila, seguram o bebê para que ela possa tomar banho ou descansar um pouco, e colaboram em cuidados simples, como a troca de fraldas. Esse apoio faz toda a diferença para que a amamentação continue", diz.
Quanto à formação dos futuros enfermeiros, a professora explica que o desafio em sala de aula é apresentar aos acadêmicos as evidências científicas mais atualizadas, já que as informações mudam constantemente. Na prática, seja na maternidade ou na atenção primária, os discentes aplicam esse conhecimento com mais segurança e dinamismo: atuam como mediadores em rodas de conversa com gestantes e puérperas, orientam sobre os cuidados imediatos com o recém-nascido, auxiliam nas técnicas e posições de amamentação e esclarecem mitos e verdades sobre o tema.
Para encerrar, Paula Cristina deixa uma mensagem às mães e famílias neste Agosto Dourado: "Amamentar nem sempre é fácil, mas, com desejo, respeito e ajuda principalmente da rede de apoio, é possível”, conclui.
Sobre a campanha
O Agosto Dourado integra o calendário nacional de campanhas de saúde e busca sensibilizar a sociedade sobre a importância do aleitamento materno, além de fortalecer a rede de apoio às nutrizes, como bancos de leite humano, salas de apoio à amamentação e ações voltadas às trabalhadoras que amamentam.
A UniRV reafirma seu compromisso com a promoção da saúde e da educação em saúde, incentivando estudantes, profissionais e a comunidade a participarem ativamente dessa corrente de conscientização. A Universidade também possui licença maternidade de 180 dias, o que favorece o vínculo mãe e bebê e a amamentação exclusiva nos primeiros seis meses.
Para o Reitor da UniRV, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, a Universidade tem compromisso com uma formação que vai além do conhecimento técnico, contribuindo para que os discentes se desenvolvam também como profissionais mais humanos, sensíveis e comprometidos com o cuidado ao próximo. "A UniRV acredita que formar bons profissionais não se resume à excelência técnica. É preciso formar seres humanos capazes de acolher, ouvir e cuidar com empatia", afirma.
Fonte: Ministério da Saúde
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Arte: Vinicius Macedo