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Campus da UniRV serve de refúgio de biodiversidade

Publicado em: 28-07-2026
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Em meio ao crescimento urbano de Rio Verde, o campus da Universidade de Rio Verde (UniRV), localizado na Fazenda Fontes do Saber, mantém remanescentes de Cerrado que hoje funcionam como uma verdadeira reserva de biodiversidade. Levantamentos conduzidos na área evidenciam a riqueza e diversidade de fauna, que inclui desde pequenos anfíbios até grandes mamíferos ameaçados de extinção.

O inventário mais recente da fauna do campus, resultado de um Trabalho de Conclusão de Curso orientado pelo Prof. Dr. Rinneu Elias Borges, mapeou espécies em quatro grandes grupos: anfíbios, répteis, mamíferos e aves, evidenciando a diversidade que ainda resiste nos fragmentos de vegetação nativa preservados dentro da propriedade. Ao todo, foram catalogadas 11 espécies de anfíbios, 8 de répteis, 10 de mamíferos e mais de 60 espécies de aves, um conjunto que reforça a relevância ecológica da área para a conservação da fauna do Cerrado goiano.

Entre os anfíbios, chamam atenção espécies como o sapo-cururu (Rhinella diptycha) e a rã-pimenta (Leptodactylus labyrinthicus), enquanto o grupo dos répteis inclui serpentes emblemáticas do bioma, como a jiboia (Boa constrictus), a caninana (Spilotes pullatus) e a cascavel (Crotalus durissus). Já a avifauna impressiona pela variedade: de aves de rapina como o gavião-carijó (Rupornis magnirostris) e a coruja-buraqueira (Athene cunicularia) a aves aquáticas como a garça-grande (Ardea alba) e o coró-coró (Mesembrinibis cayennensis), passando por psitacídeos como a arara-canindé (Ara ararauna).

Um levantamento específico voltado aos mamíferos, que combinou armadilhas fotográficas, buscas ativas e observações diretas em pontos rurais à aproximadamente 11km da área urbana de Rio Verde, e periurbanos do campus, trouxe números que evidenciam a magnitude: foram 61 registros de indivíduos, distribuídos em 15 espécies diferentes. A grande maioria das observações (51 registros) ocorreu nas áreas mais rurais e preservadas da propriedade, mas dez ocorrências também foram feitas nas porções periurbanas, mostrando que a fauna silvestre transita e se adapta mesmo nas bordas mais próximas da cidade.

O cateto ou porco-do-mato (Pecari tajacu), foi o mamífero mais registrado, com 22 observações, o equivalente a 36% de todos os avistamentos. Na sequência aparecem, empatados, o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e o quati (Nasua nasua), cada um com oito registros (13,11%), seguidos do macaco-prego (Sapajus libidinosus), com seis ocorrências.

Mas o dado mais significativo do levantamento talvez não esteja na frequência, e sim na presença de espécies classificadas como vulneráveis à extinção. Passaram pelas lentes das armadilhas fotográficas e pelos registros de campo o tamanduá-bandeira, a anta (Tapirus terrestris), o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), a onça-parda ou suçuarana (Puma concolor) e o gato-mourisco (Puma yagouaroundi), todos classificados como "Vulneráveis" pelo Ministério do Meio Ambiente, com o lobo-guará também listado como "Quase Ameaçado" pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A jaguatirica (Leopardus pardalis) e a capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) completam a lista de espécies de maior porte registradas na propriedade.

Um indicador da saúde ambiental do Cerrado local

Conforme o Prof. Dr. Rinneu Elias Borges, a importância de conservação de um fragmento florestal, como a da campus, serve de abrigo, alimentação e passagem de animais de grande porte, já que a presença de predadores de topo de cadeia, como a onça-parda e o lobo-guará, é considerada pelos pesquisadores um forte indicativo da qualidade ambiental dos fragmentos de vegetação nativa mantidos na UniRV. Esses animais dependem de áreas relativamente extensas e de uma cadeia alimentar equilibrada para sobreviver, o que reforça a função da reserva da Universidade como corredor ecológico em meio à malha urbana de Rio Verde.

A coexistência entre a rotina acadêmica e riqueza de fauna reforça o papel da universidade não apenas como espaço de formação profissional, mas também como agente de conservação ambiental. Os fragmentos de Cerrado preservados dentro do campus funcionam como um laboratório vivo a céu aberto, permitindo que estudantes de cursos como Medicina Veterinária e Agronomia acompanhem de perto processos ecológicos que, em outras circunstâncias, exigiriam deslocamentos a áreas de conservação mais distantes.

Números que reforçam a importância da preservação

Passeando por corredores acadêmicos, é possível encontrar, num mesmo dia, o canto do bem-te-vi (Pitangus sulphuratus), o voo de um gavião caboclo (Heterospizias meridionalis) e, com sorte, o rastro de um tamanduá-bandeira. Essa convivência cotidiana, incomum para uma instituição de ensino situada dentro do perímetro urbano, é o retrato de um patrimônio natural que os levantamentos científicos estão documentando há alguns anos, e, principalmente, ajudam a proteger.

Os dados reunidos pelos pesquisadores da UniRV não apenas atestam a diversidade biológica do campus, mas também servem como base para ações futuras de manejo e conservação da área. Em um contexto de expansão urbana acelerada, manter e monitorar esse tipo de reserva dentro dos limites da cidade se torna cada vez mais estratégico, tanto para a preservação da fauna do Cerrado, quanto para a formação de profissionais mais sensíveis às questões ambientais que marcarão as próximas décadas.

Para o Reitor, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, a presença de uma fauna tão diversa dentro da área da Universidade de Rio Verde demonstra que é possível conciliar desenvolvimento, ensino e conservação ambiental. “Os levantamentos realizados em nosso campus evidenciam a importância dos fragmentos de Cerrado preservados na Fazenda Fontes do Saber, que hoje servem como abrigo para dezenas de espécies, incluindo animais considerados vulneráveis à extinção. Para a UniRV, esse patrimônio natural tem um valor que vai além da conservação. Ele se transforma em um verdadeiro laboratório vivo para nossos estudantes e pesquisadores, proporcionando oportunidades de aprendizado, produção científica e desenvolvimento de soluções voltadas à sustentabilidade. Preservar esses ambientes é também investir na formação de profissionais mais conscientes e preparados para os desafios ambientais do presente e do futuro”, salienta.
 
 
 
Os morcegos possuem relevância ecológica e econômica, atuando como polinizador, dispersores de sementes e controle de pragas agrícolas, como os insetos.
 Fonte: Inventário da Fauna - Campus UniRV - Compilado TCC - Prof. Dr. Rinneu E. Borges.
 
 
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Fotos: Marcos Santos
Infográficos gerados com uso de Inteligência Artificial
 

 

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