Fone:
+(55) 64 3611 2200

Email:
atendimento@unirv.edu.br

O impacto da Inteligência Artificial no mercado de trabalho

Publicado em: 28-07-2026
Compartilhar

 
A Inteligência Artificial deixou de ser uma tendência distante para se tornar parte da rotina de milhões de profissionais. Ferramentas capazes de produzir textos, analisar dados, gerar imagens e automatizar tarefas vêm transformando setores inteiros da economia e impondo o desafio de formar profissionais aptos a trabalhar em parceria com a tecnologia.

O relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta que 22% dos empregos atuais passarão por algum tipo de transformação até 2030. A projeção é de que 170 milhões de novos postos de trabalho sejam criados, enquanto 92 milhões sejam deslocados, resultando em um saldo positivo de 78 milhões de empregos em todo o mundo. O mesmo estudo indica que cerca de 40% das habilidades exigidas pelo mercado devem mudar nos próximos cinco anos, reforçando a necessidade de atualização contínua.

Além disso, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) destaca que a falta de qualificação é um dos principais obstáculos para a adoção da IA nas empresas. Segundo a entidade, cresce a demanda por trabalhadores capazes de interpretar dados, utilizar ferramentas de inteligência artificial e combinar competências técnicas com habilidades humanas, como criatividade, pensamento crítico e inteligência emocional.

Professor da Faculdade de Engenharia de Software da Universidade de Rio Verde  e com pesquisas nas áreas de sistema de informação, aplicativos para dispositivos móveis e inteligência artificial, Sandro Moreira acredita que tanto no mercado, quanto nos cursos, há uma adaptação ao cenário tecnológico. “A discussão não é mais sobre robôs roubando empregos, mas sobre profissionais auxiliados por IA substituindo aqueles que não a utilizam. Como tarefas operacionais e repetitivas foram delegadas aos algoritmos, tornou-se essencial desenvolver novas competências. Habilidades como fluência em dados, capacidade de criar prompts eficientes, criatividade, inteligência emocional e, principalmente, pensamento crítico para validar as respostas da máquina passaram a ser o diferencial humano.”

Segundo ele, o desafio das universidades vai além da formação tecnológica. “A transformação não está restrita aos nossos laboratórios de computação, as universidades têm o desafio de preparar seus estudantes, desde a Engenharia de Software às Ciências Agrárias, da Saúde aos Negócios, para navegarem com segurança nessa nova realidade.”

O professor acrescenta que a adaptação já pode ser observada em diferentes áreas do conhecimento. “Como era de se esperar, os cursos da área de tecnologia, a exemplo da Engenharia de Software, lideram esse movimento de adaptação. Se antes o engenheiro passava 80% do tempo digitando linhas de código, hoje ele assume o papel de um maestro: define a arquitetura, gerencia o lado criativo do projeto e revisa o código gerado por modelos generativos. Para formar esse novo profissional, a abordagem das disciplinas precisa de um novo equilíbrio, mesclando a sintaxe tradicional das linguagens com engenharia de prompts, segurança de dados, ética e a integração contínua de modelos locais.”

Sandro acrescenta que a influência da IA, no entanto, não se limita às áreas de tecnologia.. “No agronegócio, a IA já otimiza o uso de defensivos, prevê safras e analisa imagens de satélite,  conectando pesquisas de ponta, como os estudos em biocombustíveis, à realidade do campo. Na área da saúde, a tecnologia atua como uma aliada no cruzamento de prontuários, triagens e apoio ao diagnóstico, exigindo profissionais com olhar clínico aguçado e forte alfabetização digital. Já no Direito, a automação de processos burocráticos liberta o advogado para focar na tomada de decisão estratégica e consultiva.”

O Docente pondera que para sustentar todas essas frentes, a educação precisa abraçar o princípio básico de ensinar a aprender. Em um cenário onde as ferramentas tecnológicas mudam a cada semestre, o maior trunfo do ensino superior não é entregar respostas prontas, mas capacitar o aluno a formular as perguntas certas. A universidade do século XXI não é mais o santuário isolado do saber, mas um catalisador vivo de inovação. O movimento de adaptação dos cursos da UniRV demonstra que preparar profissionais para a era da Inteligência Artificial exige misturar rigor acadêmico e infraestrutura de ponta com, acima de tudo, a sensibilidade humana para entender que a tecnologia existe para servir às pessoas.”

No campo criativo, as mudanças também são significativas. O designer e professor do curso de Design Gráfico da Universidade de Rio Verde, Thiago Macedo, compartilha que a inteligência artificial passou a integrar seu cotidiano profissional. “A inteligência artificial já assumiu parte do trabalho que, até pouco tempo atrás, exigia horas de execução. Essa talvez seja a mudança mais evidente, e também a mais desconfortável, para quem atua no campo criativo. Em minha rotina como designer na Assessoria de Comunicação da UniRV, a IA passou a auxiliar em diferentes etapas: pesquisa de referências, exploração de conceitos, geração e tratamento de imagens e desenvolvimento de alternativas visuais. Com isso, algumas tarefas tornaram-se mais rápidas, possibilitando ampliar o número de possibilidades analisadas antes de chegar a uma solução. Entretanto, produzir mais alternativas em menos tempo não significa, necessariamente, produzir um design melhor, pois a ferramenta não conhece, por si mesma, o contexto institucional, o público ou os objetivos de comunicação.”
 
Segundo Thiago, o papel do profissional está mudando. “Meu trabalho tem se deslocado parcialmente da execução para a direção, a seleção e o refinamento: definir o problema, estabelecer critérios, avaliar o que faz sentido e assumir a responsabilidade pelo resultado final. Também existe o risco de uma uniformização estética, já que o uso das mesmas ferramentas sem repertório ou intenção tende a gerar soluções semelhantes. Nesse cenário, conhecimentos tradicionais do design - tipografia, composição, cor, hierarquia da informação, semiótica e construção conceitual - tornam-se ainda mais importantes, pois são eles que permitem reconhecer quando uma solução gerada pela IA é adequada ou apenas genérica.”

O Professor explica que essa transformação também tem impactado a sala de aula, uma vez que o modelo tradicional de avaliação precisa ser revisto em um cenário em que textos e imagens podem ser produzidos em poucos minutos. “Como professor do curso de Design Gráfico, percebo uma transformação igualmente profunda. Já não é suficiente avaliar apenas o produto final apresentado pelo estudante, porque uma imagem ou um texto visualmente elaborado pode ser produzido em poucos minutos. Torna-se necessário observar o processo: como o aluno identificou o problema, quais referências pesquisou, que decisões tomou, como utilizou a ferramenta e de que maneira avaliou e modificou os resultados obtidos. A capacidade de justificar escolhas passou a ter um peso ainda maior nesse contexto.” 

Thiago acredita que o uso da IA no ambiente acadêmico deve ser estimulado, mas com critérios claros. “Não acredito que proibir a IA em sala de aula prepare os estudantes para o mercado que encontrarão. Ao mesmo tempo, permitir seu uso sem critérios pode gerar dependência, enfraquecimento dos fundamentos e uma falsa sensação de competência. O desafio do ensino é incorporar essas ferramentas de maneira crítica, discutindo autoria, ética, direitos sobre imagens, vieses, veracidade das informações e transparência no processo. O estudante precisa compreender que gerar uma imagem não é o mesmo que desenvolver um projeto de design.”

Para Thiago, existe ainda uma preocupação pouco discutida, que é a percepção do público diante de conteúdos produzidos com auxílio de inteligência artificial. “Designers, agências e clientes valorizam a IA pela redução de tempo e custos, mas é preciso perguntar se o consumidor deseja receber conteúdos com aparência artificial, genérica ou repetitiva. Uma imagem pode impressionar quem a produziu pela facilidade e pela velocidade com que foi criada, mas isso não significa que produzirá identificação, confiança ou interesse no público. Quando uma peça fica com “cara de IA”, a ferramenta deixa de ser um meio e passa a determinar a linguagem do projeto, tornando marcas diferentes visualmente semelhantes. O critério, portanto, não deve ser apenas a capacidade de produzir, mas a adequação, a autenticidade e a conexão do conteúdo com quem o recebe.”

“A Universidade de Rio Verde acompanha essa mudança com responsabilidade e visão de futuro. Nosso compromisso é preparar os acadêmicos não apenas para utilizar as novas tecnologias, mas para liderar processos de inovação em suas áreas de atuação. Na UniRV, estamos formando profissionais capazes de unir conhecimento técnico, pensamento crítico, ética e sensibilidade humana, competências indispensáveis para um mundo cada vez mais conectado e impulsionado pela inteligência artificial. “ finaliza o Reitor, professor Dr. Alberto Barella Netto. 
 

Equipe Ascom UniRV
Jornalista Vanderli Silvestre - CRP 4126/GO
Arte: Vinicius Macedo 

+ Notícias

#

UniRV avança com obras e amplia espaços de convivência e bem-estar no campus

A Universidade de Rio Verde segue investindo na modernização de sua infraestrutura com a execução de obras que transformarão os espa&cc...

#

Volta às aulas marca novo ciclo de aprendizado e oportunidades na UniRV

O segundo semestre letivo começou na Universidade de Rio Verde renovando as expectativas de milhares de acadêmicos que retornam às salas de aula, labo...

#

Normas para requerimento de descontos 2026: confira na Portaria n. 1.455/2026

  A Universidade de Rio Verde publicou a Portaria n. 1.455/2026 que regulamenta o processo de requerimento e as condições para a concessão e ...

#

VIII COMERV está com inscrições abertas para submissão de trabalhos

Estão abertas as submissões de trabalhos científicos para o VIII Congresso Médico de Rio Verde (VIII COMERV), edição 2026. Com o...

#

Jovens pesquisadores e a construção do futuro: estudantes na Iniciação Científica

  A Iniciação Científica desempenha um papel fundamental na formação acadêmica e profissional de estudantes, ao promover o ...