Goiás já está em período de alerta devido à estiagem, à baixa umidade e às altas temperaturas, fatores que elevam o risco de queimadas em grande parte do estado. Em Rio Verde, o cenário se repete e exige atenção redobrada da população e do setor agropecuário.
De acordo com o professor da Universidade de Rio Verde (UniRV), Dr. Gilmar Oliveira Santos, alguns municípios goianos devem registrar, neste ano, o maior período de estiagem já observado historicamente. Segundo ele, é comum que Rio Verde passe mais de 90 dias consecutivos sem chuvas acima de 10 mm em um único dia, mas em 2024 esse número chegou a 179 dias.
O professor explica que, neste ano, a estiagem começou mais cedo no sudoeste goiano. Em Rio Verde, a estação meteorológica principal, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em parceria com a UniRV, não registra chuva significativa desde 8 de abril, o que já passa de 100 dias sem precipitação relevante.
"Até houve registro de chuva na região, acima de 10 mm, mas não no local de medição oficial. Ainda teremos mais alguns meses de estiagem pela frente. Historicamente, as chuvas retornam à região no final de setembro ou início de outubro", afirma.
Ele destaca ainda que o cenário já era previsto considerando a influência do fenômeno El Niño.
Prevenção é a principal aliada no combate ao fogo
Para o especialista, controlar o fogo não é uma tarefa simples, já que não é possível prever com exatidão quando e onde surgirão os focos de incêndio. Por isso, ele reforça um conjunto de orientações à população e aos produtores rurais: não realizar queima de resíduos em propriedades rurais; fazer aceiro mecânico em propriedades próximas a rodovias; e manter alerta constante durante o período de estiagem.
O professor avalia que os grupos de WhatsApp têm se mostrado uma ferramenta eficiente no combate ao fogo, já que permitem o compartilhamento rápido de informações e a mobilização de vizinhos para ajudar em situações de emergência. "Mesmo com a ajuda dos colaboradores, peça auxílio ao corpo de bombeiros do seu município. Nunca coloque sua vida em risco", orienta.
Queimadas espontâneas no Cerrado: um risco raro, mas real
Questionado sobre a possibilidade de queimadas espontâneas no Cerrado e os riscos que elas representam tanto para o produtor rural quanto para a sociedade em geral, Dr. Gilmar pondera que o fenômeno é raro, mas não impossível. "É muito difícil, mas existe a possibilidade. Com as altas temperaturas, baixa umidade e ventos, pode-se desencadear um foco pelo aquecimento causado pelo atrito da vegetação seca", explica.
Segundo ele, porém, a origem da maioria dos incêndios está associada à ação humana. "Na maioria das vezes, existe uma 'faísca humana'. É difícil quantificar a origem do fogo, mas, na maior parte dos casos, os focos são oriundos de bitucas de cigarro jogadas nas margens das rodovias", relata.
O solo depois do fogo
Sobre o manejo do solo após a passagem do fogo, o professor da UniRV chama atenção para uma percepção equivocada bastante comum. "Muitos têm a percepção de que a vegetação, principalmente as forrageiras, possui melhor desenvolvimento após as queimadas, mas o que ocorre é bem diferente. No primeiro ano agrícola, o teor de carbono no solo se eleva, mas há redução de outros nutrientes, além de prejuízos à microbiologia e à física do solo. A partir do segundo ano agrícola, o solo passa a apresentar carência de nutrientes e perde as sementes que naturalmente se dispersam no terreno, abrindo espaço para o avanço de plantas daninhas, que se destacam justamente por resistirem a condições adversas", explica, reforçando a importância do acompanhamento técnico do agrônomo na recuperação da área após a ocorrência de queimadas.
Reitoria reforça compromisso da UniRV com a comunidade
O Reitor da UniRV, Prof. Dr. Alberto Barella Netto, destaca o papel da Universidade no acompanhamento e na orientação da população durante o período crítico de estiagem. "A UniRV mantém, por meio de sua estação meteorológica e do trabalho de nossos pesquisadores, um monitoramento constante das condições climáticas da região. Nosso compromisso é colocar esse conhecimento a serviço da comunidade, orientando produtores rurais e a população em geral para que este período de estiagem seja atravessado com responsabilidade e o mínimo de prejuízo possível. Reforçamos que a prevenção é sempre o melhor caminho, e que a colaboração entre vizinhos, poder público e corpo de bombeiros é fundamental para reduzir os riscos de incêndio em nossa região", conclui.
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Arte: Vinicius Macedo