A busca por conforto térmico deixou de ser apenas uma questão de bem-estar para se tornar tema estratégico em cidades cada vez mais quentes e populosas. Por trás de ambientes climatizados, que vão desde hospitais a shoppings e indústrias, está a engenharia de climatização, uma área que combina tecnologia e eficiência energética. No atual cenário marcado pelo avanço das mudanças climáticas e pela pressão por consumo consciente de energia, projetar e operar sistemas de climatização de forma adequada já não é luxo, mas necessidade.
Sobre esse tema e sua importância dessa área da Engenharia Mecânica, que engloba conforto térmico, renovação do ar, controle de temperatura e umidade, ventilação, filtragem, eficiência energética e a rigorosa manutenção da qualidade do ar interior, o professor da Faculdade de Engenharia Mecânica, que também atua no Departamento de Engenharia e Obras da UniRV, com foco principal em projetos de climatização, Me. Anderson Inácio Junqueira Júnior, compartilha experiências e informações.
“A Engenharia de Climatização está em alta, baseada na ideia de que ambientes com temperaturas confortáveis melhoram a produtividade e o bem-estar. No Centro-Oeste, onde o calor predomina, muitas vezes resumido em ‘calor’ e ‘calor com chuva’, o controle térmico é uma necessidade diária. Por isso, a área se consolida como parte essencial da Engenharia Mecânica, voltada ao estudo, projeto e controle das condições ambientais,” comenta Anderson.
O Professor amplia a explicação sobre o tema, reforçando que a área não está ligada apenas aos aparelhos de ar-condicionado. “Embora muitas vezes seja associada pelo público leigo apenas ao aparelho de ar condicionado na parede "soprando frio", o campo de atuação é vasto. A área engloba conforto térmico, renovação do ar, controle de temperatura e umidade, ventilação, filtragem, eficiência energética e a rigorosa manutenção da qualidade do ar interior. Na prática, a climatização está presente em residências, salas de aula, hospitais, laboratórios, indústrias, escritórios, supermercados, auditórios, entre outros. Sempre que há a necessidade de manter condições adequadas de temperatura e qualidade do ar, existe a participação direta ou indireta desta engenharia,” discorre.

Anderson destaca dois projetos da UniRV que elaborou a parte de climatização, sendo a Biblioteca Central e o Complexo Administrativo. “É importante ressaltar que todo o projeto de climatização exige a responsabilidade técnica de um Engenheiro Mecânico. Além de realizar os dimensionamentos conforme as normas vigentes (como a ABNT NBR 16401), este profissional analisa a viabilidade econômica dos equipamentos e da instalação, e o custo de um sistema não se resume à sua implantação, englobando também a sua operação, o seu sistema de controle e a sua manutenção ao longo da vida útil, “completa.
No caso da Biblioteca Central, o Docente explica que para ilustrar a complexidade desse tipo de ambiente, foi necessário considerar não apenas a conservação do vasto acervo de livros, mas também o conforto prolongado dos utilizadores. “Esse projeto precisou de levar em conta diversos fatores técnicos: a orientação solar da edificação, os materiais utilizados na construção, a carga térmica dissipada por equipamentos elétricos, os níveis estritos de umidade relativa para evitar a deterioração do papel e o tempo estimado de permanência dos estudantes no local,”
Ele comenta ainda que, além também foi fundamental calcular a temperatura de conforto e a taxa de insuflação de ar exterior filtrado, de modo a manter a concentração de dióxido de carbono (CO2) em níveis normativos. Controle este, que previne a sonolência nos alunos, favorecendo a concentração e proporcionando um ambiente otimizado para a aprendizagem.
O especialista afirma ainda que um aspeto frequentemente negligenciado em projetos inadequados é a taxa de renovação de ar. “O ar condicionado tipo "Split", por exemplo, normalmente apenas arrefece e recircula o ar interno. Sem a captação adequada de ar externo filtrado, o ambiente satura-se de CO2, odores, poeiras finas, compostos orgânicos voláteis (COVs) e microrganismos, prejudicando diretamente a saúde e a produtividade dos ocupantes,” explana.
Anderson fala ainda sobre o PMOC (Plano de Manutenção, Operação e Controle), principalmente no cenário de proteção à saúde, por se tratar de um documento técnico obrigatório para sistemas de climatização em edifícios de uso público e coletivo, e que define os procedimentos e a periodicidade com que os equipamentos devem ser inspecionados, limpos e mantidos. Respaldado pela legislação vigente, o PMOC visa garantir a Qualidade do Ar Interior (QAI) e minimizar riscos sanitários.
Segundo o professor, após a pandemia, o tema da Qualidade do Ar Interior ganhou o merecido destaque da sociedade, embora sempre tenha sido o pilar das normas de uso coletivo. “A tríade de renovação, filtragem e ventilação adequada é o que reduz a concentração de agentes patogénicos. Em locais como laboratórios e hospitais, este controle de contaminação cruzada deixa de ser apenas conforto e passa a ser segurança biológica,”
O Docente conta que dentro da grade do curso de Engenharia Mecânica, da UniRV, a climatização coroa a aplicação de disciplinas clássicas como termodinâmica; transferência de calor; mecânica dos fluidos; máquinas de fluxo; refrigeração e controle. “É uma área de altíssima aplicação prática, que transforma equações diferenciais e conceitos físicos em soluções reais para a sociedade. O profissional deste setor precisa ter uma visão sistémica que una a ciência exata às necessidades humanas,” completa.
Além disso, Anderson explica que a área também possui um impacto direto na sustentabilidade, onde projetos bem dimensionados evitam o superdimensionamento, reduzem o desperdício, melhoram a eficiência energética das edificações e aumentam a vida útil dos componentes, sendo a climatização, portanto, uma parte vital da infraestrutura urbana e da responsabilidade ambiental.
Anderson finaliza falando que para os estudantes de Engenharia Mecânica, este é um mercado repleto de oportunidades. “É um nicho que exige rigor técnico e grande responsabilidade, afinal, um erro de projeto pode resultar em alto consumo energético, falhas prematuras e até na propagação de doenças respiratórias. Falar sobre climatização é falar sobre qualidade de vida, tecnologia aplicada e eficiência sustentável. Um sistema de excelência não é apenas aquele que "gela" o ambiente, mas aquele que oferece conforto térmico, segurança respiratória e eficiência energética de forma harmónica. Além de ser um campo em franca expansão, a engenharia de climatização se tornou indispensável num mundo onde passamos a maior parte das nossas vidas em ambientes fechados. “
Equipe Ascom UniRV
Jornalista Vanderli Silvestre - CRP 4126/GO
Arte: Vinicius Macedo