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Goiás lidera acidentes com animais peçonhentos no Centro-Oeste

Publicado em: 14-04-2026
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Um estudo epidemiológico realizado pela acadêmica de Medicina Júlia Moreno Gentilin de Menezes, sob orientação da Profa. Dra. Heloísa Silva Guerra (UniRV), revela a dimensão dos acidentes com animais peçonhentos em Goiás: foram 60.560 registros entre 2013 e 2022, com tendência de crescimento ao longo dos anos.

O estado lidera as ocorrências no Centro-Oeste, concentrando 45,35% dos casos da região. O pico foi registrado em 2022, com 9.305 notificações, uma média de 25,5 acidentes por dia.

Os escorpiões são os principais responsáveis pelos incidentes, somando 34.272 casos, seguidos por serpentes (11.606) e aranhas (5.180). Entre os acidentes com cobras, o gênero Bothrops (que inclui as jararacas) é o mais frequente, com 7.967 registros.
O perfil das vítimas é majoritariamente masculino (35.146 casos), concentrado na faixa etária economicamente ativa, entre 20 e 59 anos. A maior exposição está associada a atividades como agricultura, pecuária e construção civil, além do avanço urbano sobre áreas naturais. O pé aparece como a região do corpo mais atingida, com 14.019 ocorrências, reforçando a importância do uso de equipamentos de proteção.

Dados mais recentes ainda mantêm Goiás como destaque regional, com 37.912 casos, o equivalente a 42,4% das ocorrências no Centro-Oeste e sem mudanças significativas no perfil dos acidentes.
Voltando aos achados da pesquisa, além do alto número de registros, um dado positivo é a rapidez no atendimento: 33.103 vítimas foram socorridas na primeira hora após o acidente, fator decisivo para o prognóstico. A maioria dos casos foi classificada como leve (47.590), com 56.547 evoluções para cura. Ainda assim, foram registrados 115 óbitos no período.

O aumento das ocorrências está associado a fatores como desmatamento, mudanças climáticas e crescimento urbano desordenado, que aproximam os animais do ambiente humano. A ausência de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) em atividades rurais e na construção civil também contribui para os acidentes.

Especialistas reforçam que medidas simples podem reduzir os riscos, como manter quintais limpos, evitar acúmulo de lixo e entulho, vedar ralos e frestas, além do uso de botas e luvas em atividades de risco.

Segundo a Profa. Dra. Heloísa Silva Guerra, a pesquisa reforça o impacto desses acidentes na saúde pública e contribui para orientar ações mais eficazes. “Ao analisar esse cenário, conseguimos dimensionar o problema e identificar os grupos mais vulneráveis, o que auxilia no planejamento de estratégias de prevenção, vigilância e assistência”, destaca.

A pesquisadora também ressalta a importância da publicação do estudo no Brazilian Journal of Biology, ampliando o alcance dos dados e fortalecendo o papel da Universidade na produção de conhecimento aplicado à sociedade.

Autora da pesquisa e bolsista do Programa de Iniciação Científica 2024/2025, a acadêmica de Medicina Júlia Moreno Gentilin de Menezes também reflete sobre o impacto da experiência em sua formação. "Eu nunca havia escrito um artigo, muito menos submetido em uma revista de tão grande renome, e ter passado por esse processo durante a Iniciação Científica me abriu muito os olhos. Ter a orientação de uma profissional tão capacitada e tão experiente, guiando e explicando cada passo, é engrandecedor e realmente te inicia nos processos de pesquisa. Tenho certeza de que agora sou uma pessoa com mais ferramentas para desenvolver os meus trabalhos e com mais conhecimento sobre o processo de escrita. Escrever o artigo sem contar com o projeto de Iniciação Científica certamente teria sido muito mais trabalhoso e não tão bem-sucedido. Sinto muito orgulho de todo o trabalho e sou muito grata pela experiência, pois contribuiu enormemente para o meu desenvolvimento como aluna e como profissional”, salienta.

O estudo foi desenvolvido no âmbito do Grupo de Estudos e Pesquisas em Epidemiologia e Saúde (GEPES UniRV), durante o ciclo de Iniciação Científica 2024/2025, com apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (PRPI) e da Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PRPG).
Em caso de acidente com animal peçonhento em Rio Verde, a população deve buscar atendimento imediato em uma das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do município: UPA 1 (Jardim Goiás): Rua Augusta Bastos, nº 1900, Centro ou UPA 2 (Vila Santa Cruz): Rua 28 esq. com Rua Argentina, Qd. 17 AI 02, Vila Santa Cruz I. A rapidez no atendimento é fundamental para o prognóstico e pode salvar vidas.
 
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo – MTE 3194/GO
Arte: Rogério Guimarães
 

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