A pesquisa "O Trilema do Agronegócio Brasileiro: Instrumentos de Política e as Contradições entre Eficiência, Sustentabilidade e Justiça", que investiga os desafios de equilibrar crescimento produtivo com preservação ambiental e equidade social, foi publicada pela Revista Derecho y Cambio Social – DCS, um periódico técnico-científico classificado como Qualis A2 (2021–2024) pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), reconhecida por seu sólido compromisso com a difusão do conhecimento sob uma perspectiva interdisciplinar.
O estudo foi feito em colaboração entre o reitor da Universidade de Rio Verde (UniRV), professor Dr. Alberto Barella Netto, a coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade e Agronegócio, professora Dra. Ivone Vieira Pereira, e os acadêmicos do mestrado profissional em Sustentabilidade e Agronegócio Fellipe Marinho Vieira, Victor Martins Cruvinel e Ana Paula Tiago Santos.
O artigo aborda o que os autores chamam de "trilema da política agrícola": a dificuldade institucional de conciliar a eficiência produtiva, a sustentabilidade ambiental e a justiça socioeconômica. A principal conclusão é que a arquitetura atual das políticas públicas no Brasil ainda prioriza o produtivismo de curto prazo, focado na exportação de commodities, em detrimento da integridade ecológica e da equidade social.
Uma das evidências mais fortes apresentadas pela pesquisa é a "coexistência desigual" no acesso a recursos. Segundo os dados processados da Matriz de Dados do Crédito Rural (MDCR) para o ciclo 2025/2026, 64,37% dos recursos de custeio são destinados ao agronegócio empresarial de grande porte, enquanto a agricultura familiar (via PRONAF) recebe apenas 14,10%. Além disso, o estudo aponta que menos de 1% do crédito rural é voltado para linhas de inovação sustentável e bioeconomia.
No aspecto ambiental, os pesquisadores destacam que a expansão física da soja, que cresceu 808% sobre biomas nativos entre 1985 e 2024, gera externalidades severas que não são contidas pelos instrumentos atuais. O Imposto Territorial Rural (ITR), por exemplo, é citado como um mecanismo que permanece inerte em sua função de desestimular a degradação ambiental devido a falhas de fiscalização.
O trabalho alerta que essa inércia regulatória coloca o Brasil em risco reputacional perante o mercado global, especialmente diante das exigências da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do Green Deal europeu. Para os autores, a superação dessas contradições é essencial para a sobrevivência econômica do setor.
Como solução, o estudo propõe diretrizes para uma transição justa, que inclui a reforma da tributação territorial rural, a integração de condicionalidades ambientais severas para a concessão de crédito e políticas de justiça tecnológica, a fim de garantir que o pequeno produtor tenha acesso à assistência técnica digital e possa ser incluído em cadeias produtivas sustentáveis.
Em depoimento, a coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade e Agronegócio, professora Dra. Ivone Vieira Pereira, reforça a importância da pesquisa e da publicação para trazer resultados que possam contribuir com o agronegócio e a sustentabilidade. “Nosso objetivo é que o conhecimento gerado na pós-graduação não permaneça restrito à universidade, mas dialogue com o setor produtivo, fortaleça a agricultura sustentável e promova equilíbrio entre competitividade, responsabilidade ambiental e justiça social”, salienta.
O reitor, professor Dr. Alberto Barella Netto, concorda que a pesquisa científica é o instrumento mais sólido que a universidade possui para contribuir com o desenvolvimento do país. “Publicar em periódicos qualificados não é apenas uma conquista acadêmica, mas uma responsabilidade institucional com a sociedade. Ao analisar o trilema do agronegócio brasileiro, buscamos oferecer evidências técnicas que qualifiquem o debate público e orientem políticas mais equilibradas entre eficiência produtiva, sustentabilidade ambiental e justiça social. A universidade precisa estar onde as decisões são discutidas e isso se faz com pesquisa séria, dados consistentes e publicação de resultados em espaços científicos reconhecidos”, conclui.
Equipe ASCOM UniRV
Jornalista Jessica Bazzo - MTE 3194/GO